Divagações boêmias com Bandeira

sábado, 6 de fevereiro de 2010

De minha autoria, com apoio da poetisa Rachel dos Santos Dias:



É Manoel, sua é toda a razão


Quero ir para Pasárgada


Esquecer a solidão.



O monarca é nosso amigo


Há sempre mais opção.


Tem sempre uma alternativa


Preenchendo o coração.



São solícitos e justos,


lá são todos perfeitos.


Em Pasárgada é tudo certo,


São sempre amigos do peito!



Não existe preocupação,


posso escolher quem eu quero


para o leito que também quero


sem muita conversação.

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Seu santo nome

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Como tantas outras, com o passar do tempo a palavra amor vem perdendo sentido. É disperdiçada muitas vezes com a fútil intenção de agradar por agradar ou - pior - para se conseguir algo mais, mas nem sempre com o real valor que ela deveria empregar. Ou às vezes sou só eu exagerando, superestimando o termo, achando que ele é sagrado demais para ser jogado assim, ao vento, sem mais nem menos.


No ano passado tive a oportunidade de conhecer melhor o poeta Carlos Drummond de Andrade, e fiquei ainda mais apaixonada pelo trabalho dele. No meio de tantas preciosidades, encontrei esta pequena poesia que se segue; deleitem-se:


O SEU SANTO NOME

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Carlos Drummond de Andrade

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Ele não morreu!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Para aqueles que duvidavam da minha luta quase exclusivamente particular e desacreditavam de sua vitória, eis a prova de que tanta fé não foi em vão: o ICQ está voltando!

Por volta do final da década de 1990, o MSN chegou como um trator, fazendo um arrastão com os bons usuários da florzinha verde. Eu mesmo, que tinha sempre alguém logado na minha lista de contatos do ICQ com quem conversar, de um dia para o outro, me vi abandonada no programa. Na época, o MSN tinha muitos problemas (como se ainda não tivesse, né?), enquanto o ICQ (que é a expressão em inglês "I seek you" - "a gente se vê" - em internetês), bem mais leve e simples, raramente apresentava algum bug. Mesmo com esse pequeno detalhe, o povo se rendeu ao MSN, e por falta de opção, me vi obrigada a migrar também.

Há mais ou menos uns 2 anos, conversando (pessoalmente) com um amigo meu - que, por sinal, conheci através do ICQ -, ficamos lembrando nostalgicamente desse programinha, o que despertou uma curiosidade muito grande em mim de saber como ele estava. Ao chegar em casa, então, entrei no site do ICQ para baixar a mais nova versão, e voilà! Infelizmente, tive que criar um novo número; o antigo eu até lembrava, mas não conseguia recuperar a senha. Mas enfim! Empolgada com a idéia de ouvir novamente o familiar "oh-ow", fui ao ponto de encontro do mundo: o Orkut! Até me admirei de dscobrir uma infinidade de comunidades de militantes na luta pela volta dessa florzinha (o curioso é que tinha muita gente bem mais nova do que eu nesse site - tipo, o ICQ nem é da época deles! rs). E a partir daí, eu voltei à luta pela volta do ICQ.

Aí, para dar mais energia ainda à minha campanha, eu me deparo com um post no Blog do Link falando justamente sobre a florzinha verde. Segundo a matéria, de Tatiana de Mello Dias, a nova versão do ICQ, o ICQ 7, é integrada às redes sociais (Orkut, Face Book e companhia).

Ao baixar novamente o ICQ, a única reclamação que eu tinha é que era muito pesado: para se "parecer" mais com a porcaria do MSN, eles foram incrementando, incrementando, até ficar do jeito que ficou. Mas acho que os usuários fiéis continuaram dando palpites sobre o programa, o que vem ajudado muito seus desenvolvedores a melhorá-lo. Essa versão eu ainda não baixei, mas ainda vou baixar - afinal, preciso manter meu programa atualizado, né?


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Por que os bons vão antes?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Eu não queria que o primeiro post do ano fosse assim, mas sabe como é a vida, né? Eu não sei o que eu quero dela, tampouco sei o que ela quer de mim.

Por que os bons morrem antes, Renato? Tem tanta gente que podia ter morrido, tanta gente ruim que não faz falta para o mundo... (Todo ser humano é egoísta por natureza; não me venham com críticas de caráter sobre esse comentário, porque posso apostar que esse pensamento já passou pelo menos uma vez pela cabeça de cada um). E por que justamente quem é bom, justo e companheiro vai embora primeiro - muitas vezes sem termos tempo de nos despedirmos a contento?

Tio Toninho, meu padrinho, meu amigo, puxei a loucura de você. Obrigada por todo o apoio que você me deu, toda a confiança (acho que sua irmã não prestou muita atenção quando seu pai te ensinou isso). Eu sou atéia, e você devia saber disso; por isso, não sei se acredito nessa história de Céu e Inferno. Mas se você tiver que ir para algum lugar, não é um mal lugar que você merece, com toda a certeza. Sentirei saudades (mais ainda)!

Eu tenho uma quedinha por histórias tristes. Talvez por isso essa música sempre tenha me atraído. Homenagem aos bons Baroni's que já se foram.

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Créditos

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Créditos são uma forma de agradecimento a quem participou de alguma maneira para que um filme (ou qualquer outro material audiovisual) fosse completado com sucesso.

Para quem esteve mais próximo, sabe que esse foi o pior ano de toda a minha vida, sem precedentes (e isso definitivamente não é mais um dos eufemismos desta blogueira). Eu não via a hora de ele acabar, e finalmente está acabando. Este foi o ano mais libriano de toda a minha vida: um ano feito de extremos, em que coisas terríveis aconteceram, mas em contra partida, coisas extremamente boas também apareceram para, de certa forma, me dar um pouco de ânimo para continuar levando. (A vida é engraçada, né?)

Por isso, esse último post do ano vai servir como os "créditos" desse 2009 interminável.

Esse foi um ano de muito crescimento pessoal para mim. Cheguei à compreensão de várias coisas com toda a turbulência por que passei. Por isso, apesar do mau tempo, preciso, do fundo do coração, agradecer ao Glaucon, por duas coisas: priemiro, pela oportunidade de assistir, pela primeira vez (de muitas, espero), a um show internacional, da inglesa Oasis, que apesar da chuva, foi muito bom. A segunda coisa: por ter despertado em mim a maior (e melhor) revolução que eu fiz em mim mesma. Como eu disse antes, foi um ano de muito crescimento, amadurecimento e compreensões das coisas.

Agora meu maior agradecimento vai para algumas pessoas que foram realmente essenciais - para não dizer vitais. Quando a gente cai num poço, precisamos encostar os pés lá no fundo para podermos ter noção de onde estamos. Mas quando chegamos lá, às vezes precisamos de mãos para nos ajudar a voltar para a superfície. Nessas horas, dificilmente vemos essas mãos, e só quem realmente se importa faria isso pela gente. E agradeço, sinceramente, às mãos da Monique, do Felipe, da Gláucia, do Luizinho, da Amanda, da Thuany e do Diego, por estarem lá quando eu mais precisava delas. (Achou bastante gente? Eu não sou magrinha, precisa de bastante gente para me aguentar...rs) Sem elas eu não teria nunca conseguido passar pelo momento mais difícil de toda a minha vida!

Um agradecimento especial ao Diógenes, por ter reavivado em mim a alegria de postar, e me reanimado a cuidar com carinho desse blog. Escrever ainda é a minha vida.

E um último agradecimento, mais do que especial, para o Jefferson, por me mostrar que recomeços podem ser muito bons.

Feliz Ano Novo para todos e que venha 2010, que já vai começar com tudo para dar certo! :D


By the way, não sei se escolhi a melhor música para ilustrar esse post, mas no momento não pensei em nada que coubesse melhor.


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Milagres de Natal

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Há quem diga que o espírito de Natal faz coisas inimagináveis acontecerem. Bom, que coisas estranhas acontecem e ninguém sabe explicar o porquê é fato. Em 23 anos de vida eu nunca tive um momento do tipo "atividades entre pais e filhos" com o meu pai - ambos de temperamentos muito parecidos, fortes e não se suportam. Triste, né? Mas hoje ele veio todo empolgado me ajudar a montar minha estante de livros. Foi uma meia horinha interessante, que eu já nem pensava mais que poderia ter algum dia. É, coisas estranhas acontecem... Deve ser o tal do espírito natalino mesmo...

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Para... sempre (?)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

De uns tempos para cá descobri que adoro algumas bandas de que ninguém nunca ouviu falar. Por exemplo, a californiana Hoobastank. Ah, essa eu tenho certeza que você já ouviu falar pelo menos um pouquinho, vai? Ela ficou famosa aqui no Brasil com a música "The Reason", em 2004 (segundo a Wikipedia, essa música fez parte do último episódio de Friends, mas como não sou exatamente uma fã do seriado, não posso confirmar a informação).



O que eu mais gosto das músicas da Hoobastank é a maturidade do eu-lírico. Elas até podem ser consideradas românticas, mas não são aquele romantismo exagerado de The Calling, mas também não são frias e calculistas. É um meio termo ideal, um romantismo que não enjoa e emociona mesmo assim (a palavra é forte, mas é a melhor para a definição).

Cinco anos depois, no começo deste ano, eles lançaram seu quarto álbum, For(N)ever. A primeira coisa que me chamou a atenção, logo de cara, foi o título (nada de estranho para uma (futura) linguista, não acha?). For ever (para sempre) é uma expressão frequentemente usada especialmente para relacionamentos (o tal do "happily ever after" (felizes para sempre) dos contos de fadas). Aí você pensa: o que esse "n" está fazendo aí no meio? Bom, aí temos outra formação for never (para nunca). Triste, se pararmos para pensar, não? Mas, quando você ouve as músicas do álbum, entende melhor a brincadeira que eles fizeram com as palavras. As canções vão desde da temática "te amo, e estou com saudades, você bem que poderia estar aqui agora" até "esquece, não gosto mais de você e já estou em outra". Literalmente, do 8 ao 80.

Para "visualizar" (sinestesia é tudo!) bem essas músicas paradoxais, deixo aqui duas sugestões pessoais das melhores músicas do álbum (todas as músicas do álbum estão disponíveis no site para ouvir):

You're The One (a "eu te amo")
I Don't Think I Love You (a "eu não estou mais a fim")

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Ainda dá tempo!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009


Planeta Voluntários apóia Papai Noel dos Correios 2009


Todos os anos os Correios realizam a camanha Papai Noel dos Correios. Um monte de crianças no Brasil inteiro mandam cartas para os Correios destinadas ao Papai Noel. Muitas delas pedem coisas simples, do tipo uma garrafa de refrigerante para a ceia de natal, uma boneca, uma bola, e por aí vai.

Ainda dá tempo! Quem quiser participar, é só passar em uma agência dos Correios e perguntar sobre a campanha, que eles repassam para você uma cartinha. Para maiores informações, é só clicar no banner ali em cima, no início do post.

Quem não puder contribuir com resposta às cartas pode ajudar divulgando essa idéia.

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Nostalgia e medos

domingo, 29 de novembro de 2009

Remexer coisas do passado às vezes é bom. Hoje, por exemplo, sem querer, mexi num dos e-mails mais antigos que eu tenho no eu Gmail. Uma grande amiga minha - com a qual eu nem tenho tanta afinidade/intimidade assim, mas gosto de chamá-la dessa forma, pela grande importância que teve em um momento extremamente difícil de minha vida - certa vez me mandou o poema que se segue, da Clarice Lispector:


A gente se acostuma

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos
e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista,
logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora,
logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas,
logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma,
esquece o sol,
esquece o ar,
esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado
porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone:
"Hoje não posso ir".
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo,
o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro,
para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber,
vai afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali,
uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada,
a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio,
a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro,
a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer,
a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito,
porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza,
para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas,
sangramentos,
para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta,
e que se gasta de tanto se acostumar,
e se perde de si mesma...


Eu quero fazer aqui uma ponte com a letra da música Little by Little, da banda britânica Oasis. O refrão dela diz o seguinte:

Cos little by little
We gave everything
You ever dreamed of
Little by little
The wheels of your life
Have slowly fallen off
Little by little
You have to give it all in all your life
And all the time I just ask myself why
You're really here

(Tradução:
Pouco a pouco
Nós desistimos de tudo
O que sempre sonhamos
Pouco a pouco
As rodas da sua vida
Vão caindo
Pouco a pouco
Você tem que desistir de tudo em toda a sua vida
E o tempo todo eu me pergunto porquê
Você realmente está aqui)


Chamem-me de melodramática ou que quer que seja, mas a perspectiva proposta por essas duas produções me parece extremamente triste. Quando crianças, somos bombardeados por contos de fadas e historinhas bonitinhas que nos insistem para não desistirmos dos nossos sonhos. Quando crescemos, recebemos um choque de realidade que nos diz para esquecer toda essa "bobagem". Em meio a tanta filosofia contraditória, em qual acreditar? Ser libriana num mundo tão cheio de opções não é nada fácil - mas duvido que essa crise existencial seja um problema unicamente dos naturalmente indecisos librianos. É difícil mesmo saber o que fazer.

Continuo achando triste e terrível parar de correr atrás de coisas que eu quero e em que acredito só porque parecem difíceis de alcançar. Por outro lado, analisando a vida, isso acaba me parecendo uma daquelas verdades incotestáveis que, por mais que tentamos evitar, elas vêm à tona para nos afrontar, para atestar a nossa incapacidade. A expectativa de vida hoje de um ser humano (no caso, brasileiro) gira em torno dos 80 anos. Até os 30 você está se matando de estudar e trabalhar para se firmar. Sobrariam em média 50 anos para aproveitar, mas depois disso, começam a aparecer as doenças. Se você vive em um grande centro urbano, ainda corre um alto risco de sofrer um acidente fatal ou ser assassinado e ter o fim da brincadeira antecipado. Nos desenhos animados sempre aparece algum personagem preocupado com o sentido da vida, e só agora eu (acho!) consigo entender o sentido desse questionamento - porque quando eu era criança, sinceramente, não fazia o menor sentido mesmo. Com uma existência tão frágil, realmente, o que dá pra gente fazer em tão pouco tempo?

Pensando num exemplo prático: por volta dos 11 ou 12 anos eu descobri o handebol. Até então eu jogava futebol com um monte de moleques do meu bairro (eu sempre fui uma menina-moleca). Não me lembro de ter conhecido algo tão bom em toda a minha vida. Eu amo jogar handebol. Tudo para mim era handebol: entrei em times das escolas por onde passei, fiz de tudo para manter os times vivos, fui atrás de nos metermos em campeonatos, batalhei camisetas para meu time, procurava jogar sempre. Até menti para professores que nos treinavam, escondendo péssimas notas na escola, tudo para não deixar de jogar. Desde que saí do Cotuca (Colégio Técnico de Campinas, onde fiz meu Ensino médio), em 2005, nunca mais joguei handebol. Por muito tempo tentei reunir algumas pessoas para jogar, mas estou cada dia mais próximo de desistir definitivamente. É bem possível que eu nunca mais jogue handebol na minha vida - e isso é extremamente cruel para mim. É como se eu tivesse uma parte de mim necrosada, pronta para a amputação. Deve ser assim que o João do Pulo se sentiu quando perdeu as pernas.

Quando se pergunta "Do quê você mais tem medo?", normalmente se ouve a resposta "morte". A maioria das pessoas têm medo de morrer. Eu acho que eu não tenho medo de morrer - não do fato em si, pelo menos. Acho que do que eu tenho mais medo mesmo é de morrer sem ter feito tudo o que eu quero fazer, tudo de que eu gosto, tudo o que eu tenho sonhado e planejado para mim. Eu não gosto da idéia de me acostumar com o que está ruim e me adaptar a isso; acredito que o certo (se é que essa seria uma palavra adequada) é arrumar o que está errado, ou pelo menos tentar. Tanto faz - eu sempre fui a "do contra" mesmo. E apesar de eu não ser muito fã da Clarice Lispector, concordo com ela: "Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia".

E eu choro pelo leite derramado, sim - afinal de contas, no mínimo, foi um desperdício.

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Johnny Depp, o homem mais sexy do mundo

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


(Estreiando nova tag com estilo!)

Pelo segunda vez Johnny Depp foi eleito o homem mais sexy do mundo pela revista People. Agora a pergunta: e onde está a novidade? Simpático, carismático e de personalidade forte - e única -, não era de se esperar que o prêmio ficasse com ele. Afinal, vamos combinar, vai? Dos quarentões do cinema, ele é de longe o mais interessante, não acha?

Pesquisas desse tipo, que aparentemente são apenas um bom meio de promoção do(s) vencedore(s), têm uma outra coisa de bom: nos deixar a par das novidades sobre o ídolo da vez. No caso do Johnny Depp, por exemplo, fiquei sabendo que devemos aguardar um novo episódio da saga Piratas do Caribe - ainda sem data oficial para o lançamento.

Piratas (um tema que muito me interessa) e Johnny Depp (um homem que muito me interessa)... Só pode dar boa coisa!

(Eu tento fazer desse blog o mais impessoal possível, mas tem hora que realmente não dá...rs)

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Altos e baixos

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Coisas que o dinheiro não compra" são uma constante na minha vida. Por exemplo, existe algo mais impagável do que, quando você está adiantada (concordância de gênero para o que vem pela frente, mas acredito que a situação sirva para ambos os sexos) para um compromisso, sua sandália arrebentar? Claro que essas coisas só acontecem porque Murphy - ai, amorzinho! - está sempre lá, com uma mão fofa em seu ombro, lembrando-nos de sua eterna companhia. Mas como meu benzinho pensa em tudo. Não bastava arrebentar minha sandália na porta do endereço onde eu tinha que ir: tinha que ter uma loja de sapatos logo ao lado. Prático, não? Adoro praticidade!

A pressa faz a gente fazer coisas estúpidas às vezes. Por exemplo, fazer compras às cegas. Como estivesse com pressa, peguei a primeira sapatilha que serviu (porque eu tenho outra dificuldade com os calçados: o pé de gente grande em uma tampinha - "desproporção" é meu apelido de infância). Na hora de pagar, a vendedora, muito simpática, fez o seguinte comentário:

"Nossa, que sorte: esse sapato está em promoção hoje; sai pela metade do preço!"

Sorte? Sorte nada! Compensações. Uma coisa boa compensa uma ruim. Mas pelas contas já foram duas coisas boas para apenas uma ruim; não está faltando alguma coisa? Sim, está! Falta uma ruim. Aí vem:

Mulherada do meu Brasil, me corrijam se eu estiver errada, mas alguma de vocês já teve a sorte de usar um sapato pela primeira vez sem nenhuma agressão aos seus queridos pés? Sapato feminino é uma desgraça! Aperta, machuca e faz bolha! E não foi exceção para a minha nova aquisição. Para quebrar um galho deu, mas meus pézinhos (eufemismo de carinho)... Por isso que eu gosto de tênis! É que nem a história da cerveja: eu nunca passei mal bebendo caipirinha!

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Privacidade vs Curiosidade

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A matéria de capa da Galileu do mês de junho deste ano diz o seguinte:

"Você tem medo do Google? Se não tem, deveria pensar no assunto"

Subtítulo:

"Afinal, ele sabe onde você mora, com quem anda, o que compra, estuda, lê, escuta e até come".


Vi a matéria sem querer na fila do caixa rápido de um supermercado e, na ocasião estava acompanhada de um amigo, com o qual eu comentei: "Pô, eu tenho uma vizinha que também sabe tudo isso!". Brincadeiras à parte, se você parar para pensar, essa bisbilhotagem do Google até que é verdade. Falta de privacidade é uma coisa muito complicada mas, pior do que isso é o lado do "agressor": invasão de privacidade está entre as piores coisas do mundo. Que me perdoem meus amigos jornalistas e repórteres (e não discutam comigo com relação a esse plural, porque a Linguista aqui sou eu! Humpf!), mas quer falta de respeito maior do que a daqueles que, no momento de dor profunda de alguém que acaba de perder um ente querido, assedia-o com a maior voracidade do mundo, como um animal faminto atrás da presa, enchendo-lhe de perguntas estúpidas (do tipo "Como é que você está se sentindo?")? Se fosse eu, ainda responderia: "Ah, tô feliz! Morrendo de alegria porque meu amigo morreu nesse acidente, seu idiota!".

Podem dizer o que quiserem dos franceses, mas uma coisa eles têm de muito bom: discrição. No caso do acidente do AirFrance veio à tona esse costume deles: o gorverno só permite a liberação da lista dos presentes no vôo (ou no acidente em questão; essa lei é geral) aos parentes das vítimas. Tá mais do que certo! Mas claro que isso não funcionaria no Brasil: paisinho de fuçadores de vida alhei dos cambau, viu? (Não confundam as coisas: eu sou, sim, patriota até o último fio do cabelo e, tanto por isso, reconheço os defeitos que o povo do meu país tem, tanto quanto suas qualidades. Isso se chama opinião crítica, que é muito diferente - e melhor - do que fanatismo).


(Post trazido da "antiga morada" desta blogueira - adaptado)

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Nostalgia

sábado, 7 de novembro de 2009


Procurando coisas à toa na internet hoje, me deparei com um blog um tanto quanto peculiar: o "Viver Para Recordar - Qual é sua história?" é um blog que tem como objetivo relembrar. Os autores do blog (Flavio, Rafael, Luis e Higa) se propões a remexer o baú e tirar lá do fundo aquelas coisas antigas das nossas infâncias, como o seriado Mundo da Lua, da TV Cultura, meus queridos Cavaleiros do Zodíaco e até um antigo desenho animado que chegou a passar no Cartoon Network e, posteriormente, no SBT e na Globo, o Swat Cats. Os textos deles são muito bem escritos, de forma objetiva, sintética e dinâmica: os posts terminam com um pedido pela participação do leitor. São posts com informações básicas para localizar o internauta em relação ao objeto de nostalgia da vez. É um bom blog, merecia ser referenciado. Fica a dica.

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Flertes de Murphy

quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Quem tem meu MSN - e meu Orkut, já sabe que eu quero (quer dizer, queria, né?) ir ao show do DragonForce, que vai rolar em São Paulo no próximo domingo, dia 8. E antes mesmo de surgir a dúvida: não, DragonForce não é um jogo, e definitivamente não é de comer. DragonForce é uma banda de heavy metal britânica que está na estrada desde 1999. 70% de seus fãs (estimativa minha) o conheceram pelo jogo "Guitar Hero III - Legends of Rock", que conta com a música "Through the Fire and Flames" deles (muito boa por sinal). Confesso que faço parte dessa estatística.

Há duas semanas atrás descobri - totalmente por acaso - que eles estão de viagem marcada para cá: eles farão 3 shows, dias 6, 7 e 8 desse mês, no Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo, respectivamente. Minha primeira reação foi ficar empolgada para ir (ainda mais porque os ingressos estavam absurdamente baratos para um show internacional). A segunda foi me preocupar em ir sozinha. Talvez seja só neurose minha, mas não me senti muito bem de ir para São Paulo, à noite, para um show de rock, e depois voltar de madrugada sozinha. Aí começou a minha corrida contra o tempo atrás de algum amigo meu que gostasse da banda - e ao mesmo tempo, a minha frustração.

Todo mundo para quem eu perguntava nunca tinham sequer ouvido falar da banda - isso quando não achavam chato admitir que não conheciam a banda e me perguntavam se era um jogo. Fui desistindo aos poucos, desanimada - acho que não cheguei a perguntar a 10 pessoas. Com exceção de 3 amigos meus, que de fato conhecem - e gostam - da banda, mais ninguém fazia idéia do que se tratava. Ah, aliás: devido à falha na divulgação do show e à falta de antecedência para eles ficarem sabendo, nem um poderia ir. E agora também não ia ajudar muito, porque (óbvio!) as entradas já se esgotaram. Ou seja: domingão estarei aqui em casa, deprimida por estar perdendo um show do caralho (com o perdão da palavra) e imaginando quando será que terei outra oportunidade como essa de assistir a um show deles. Depois, quando eu falo que Murphy me ama, ainda tem gente que duvida.


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CQDNC - para constar

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Mais CQDNC (Coisas que o dinheiro não compra), para não passar muito tempo sem postar (o Ministério da Mari adverte: faculdade faz mal à saúde mental!):


- Ser tietada no show do Velhas Virgens (minha foto tá no site da banda! Lálálálá!)
- Influenciar pessoas no show do Velhas Virgens (lembra da brincadeira do "Siga o mestre"?)
- Conhecer sem querer pessoas gentis - e mais altas que você - que se oferecem para tirar fotos da banda para você, já que a sua altura não te ajuda.


Fato: rockeiros só têm cara de mal; em geral, são todos muito simpáticos - até perguntam se estão na sua frente em um show, e mudam de lugar se for o caso.

Obs.: O projeto "reunião das CQDNC" ainda está de pé; aguardem!

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Quando chegamos ao fundo do poço

sábado, 24 de outubro de 2009


Quando ouço uma música, raramente faço isso “passivamente”, simplesmente ouvindo a mistura de sons e palavras. Normalmente eu escuto música. Tá aí mais duas palavras que sofrem grande preconceito, e que acabam frequentemente sendo confundidas: ouvir é a ação realizada pelo sentido da audição; escutar, que tem uma sutil diferença do outro verbo, consiste em ouvir para captar o que se ouve, com atenção.

Mas enfim, continuando. Esses dias eu estava ouvindo a música Rise Above This, da banda americana Seether. O que me chamou a atenção nela é seu assunto: é praticamente uma campanha antisuicídio. Aí comecei a notar como esse assunto é recorrente nas músicas. Segue uma pequena lista que eu fiz:

- Seether - Rise Above This
- Good Charlote - Hold On
- CPM 22 - Atordoado
- Oasis - Little by Little
- Linkin Park - Given Up
- Linkin Park - Shadow of the Day

E claro que essas não são as únicas; essas são algumas que eu andei ouvindo e reparando (se alguém souber de alguma mais, favor me contar, para enriquecimento do acervo da minha pesquisa). Note que nessa lista tem de tudo: norte-americanos, britânicos e brasileiros (inclusive nós, que temos a fama de ser o povo mais alegre do mundo). A única música que eu conhecia antes sobre esse assunto era a do Good Charlote, mas esse tema parece estar se tornando um pouco mais popular e menos tabu. Não sei quanto a você, mas isso me parece intrigante.

As estatísticas levantadas pela Organização Mundial de Saúde mostram que em média 3000 pessoas comentem suicídio por dia (dia!!!) – mais ou menos 1 a cada 30 segundos. Ou seja: se você levar 5 minutos para ler esse post, 10 pessoas se mataram nesse meio tempo.

Mas o que leva uma pessoa a querer se matar? Aposto que a primeira palavra que vem à cabeça é depressão, né? Pode ser. Com certeza a depressão leva a pessoa a ver o mundo como o pior lugar para se viver, e nos tira toda a vontade de querer lutar um pouco mais para viver bem. Mas não é só isso. A cultura é algo que influencia bastante – haja vista japoneses e norte-americanos lidarem tão mal com a derrota e cometerem suicídios coletivos quando não passam numa prova de vestibular ou perdem o emprego; nesse caso não havia depressão, mas uma cultura (idiota, na minha opinião, mas enfim...) rígida demais que não enxerga outra opção a não ser vencer.

O suicídio, de uma forma geral, é visto como uma fuga. Digo de forma geral porque estou tentando pensar nos dois lados da moeda: o lado do suicida e o lado de quem ficou vivo. O suicida provavelmente achou que não tinha outro jeito, e “fugiu”; o vivo, se não ficou com pena do sofrimento do coitado do suicida, acha que ele era um covarde e que podia ter tentado mais um pouco.

Eu fico com o time do segundo caso. Além de covarde, o suicida é um egoísta. Será que ele chegou a parar para pensar no sofrimento que ia causar para os que ficaram vivos? Porque, tudo bem, ele estava sofrendo; mas quem ficou vivo com certeza amava ele, e vai passar anos tentando entender o que aconteceu para a situação chegar aonde chegou – isso se não ficar se enlouquecendo tentando se convencer de que a culpa foi sua, quando na verdade não foi.

Quando uma pessoa cai dentro de um poço, fica se esperneando, tentando desesperadamente sair de lá. Aí quando se cansa do esforço, desiste e se rende à gravidade, que a puxa para o fundo. Mas quando chega lá é quando ganha ânimo e energia de novo para se impulsionar para cima novamente. Essa é a teoria do fundo do poço. Ou seja: por pior que seja o problema, sempre tem solução – ou pelo menos uma forma de contorná-lo e superá-lo. O importante é não se desesperar e parar para sentir o fundo do poço, para poder, então, encontrar forças para voltar à tona. O desespero cega; é preciso relaxar um pouco de vez em quando. Como diz uma amiga minha, todas as fases da vida têm que ser vividas – inclusive a dor. Se você está vivo, você está sujeito a ela – mas quando ela passa, você também tem a compensação da recuperação e as risadas sobre o que passou.

Para encerrar, a frase mais verdadeira do mundo, por Carro Velho, o Rei do Elogio:

"Se alguém fechar as portas pra você, não se desespere: pule a janela! Você não é aleijado!"

E o quadro que abre o post é do pintor francês Édouard Manet, e se chama Suicídio.

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Crying heart out

domingo, 18 de outubro de 2009

I've never asked anything on my birthdays before
I've never wanted so much something like now
This is the first time ever I really want something
How funny life is:
The only thing I really want this year I won't have
'Cause the only one who could give it to me won't do that
No way.

"I wish that we could go back
To what we were before
But I don't think I love you anymore"

(I Don't Think I Love You - Hoobastank)

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Coisas que o dinheiro não compra - II

sábado, 17 de outubro de 2009

Já faz alguns dias que eu não posto nada, então só para não deixar isso aqui às moscas, ei-las: aí vão as dos últimos dias (aliás, ando encontrando até bastante delas ultimamente):


- Dar sinal para o metrô parar (em Campinas não tem metrô, tá?)

- Uma plaquinha com informações em braile dentro de uma redoma, onde mãos não podem alcançá-la (mérito da Pinacoteca de São Paulo)

- Errar o dia do bar e, sem querer, acertar o dia de um pocket show da Rádio Comida nesse lugar.

- Descobrir que o teclado do computador possui um botão sortudo, o tal do Caps Lucky.

- Seus próprios pais errarem a data do seu aniversário (bom, meu pai já era de se esperar: há 23 anos ele me dá os parabéns no dia 16 de outubro; mas minha mãe?! Essa foi novidade!)

- Perder 1 hora do dia do seu aniversário por causa do horário de verão.


Ah, e uma propagandinha à toa aqui: amanhã tem a premiação da 2ª edição do concurso de poesias do Grupo Cria Literária. Para quem gosta de literatura, sarau e boa música, aí está uma boa pedida para o domingão. O evento vai rolar na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi Campinas, às 15h00. E quem for, não se esqueça do meu presente! (Brincadeira!) :D

Aliás, por falar em presentes, eu ficaria muito feliz se ganhasse um template novo de aniversário. (O que foi? Eu não sei fazer templates, e não consigo achar um que me agrade 100%, ué? Não custa tentar, né? rs)

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A intromissão da Igreja

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O assunto parece papo de anti-cristo arruaceiro, né? Mas não é, não. Vivo dizendo, e repito: sou atéia, e não anti-cristo. Quero que isso fique bem claro aqui, para queninguém me crucifique antes de chegar ao fim do post.

Agora sim, o post. Esses dias eu estava vendo na Record, no programa Fala Brasil, uma matéria sobre uma acusação de que em alguns hospitais públicos administrados por instituições católicas estão se negando a fazer laqueadura de trompas. Por quê? Simplesmente porque a Igreja condena coisas como essas - ah, inclusive, também não estão fornecendo preservativos a pessoas carentes, porque aIgreja também é contra isso. Observação: a cirurgia é direito (viu? D-I-R-E-I-T-O) de qualquer mulher que já tenha se decidido por isso, e está em constituição: a saúde pública tem que oferecer isso. E de fato oferece, sim, só que nesses hospitais em que sentinelas da Igreja coordenam, eles se negam a cumprir com um direito previsto na constituição nacional.

Agora analizemos: a mulher já tem 15 filhos (já disse antes que hiperbole é característica dessa blogueira, mas ele é bom para explicitar o meu ponto de vista), não tem dinheiro nem para se sustentar, que dirá a esses 15 filhos, e quer fazer laqueadura, por motivos óbvios. Resguardada pelo seu direito de requerer essa cirurgia, dirige -se a um hospital desses, público, mas administrado por instituições católicas, e tem seu pedido negado, por uma simples questão de filosofias religiosas. Volta para casa, engravida mais uma vez - porque, afinal de contas, ela também não tem dinheiro para comprar anticoncepcionais e preservativos, e o mesmo hospital público, que deveria dar essas coisas para ela gratuitamente, se nega se apoiando nas mesmas filosofias religiosas - e dá à luz seu 16º filho. Em pouco tempo, possivelmente quase todos eles entram em um quadro de desnutrição, por motivos óbvios - como já foi dito, essa mulher não consegue nem sustentar a si mesma. Aí o conselho tutelar autua essa mulher por maus tratos, tira dela a guarda dos filhos e os distribui por orfanatos país a fora. E a mulher, que nem teve intenção de ser uma má mãe, acaba sendo acusada injustamente, e claro, condenada pela mesma Igreja, por deixar passar fome seus anjinhos. Contraditório, não?

Eu já fiz Técnico de Enfermagem (pois é, eu sou uma caixinha de surpresas), e já vi na prática no hospital como a religião pode ajudar alguém. Mas eu não chamo isso de religião. Acredito que as pessoas precisam de algo em que se agarrar. Tem gente que se agarra a crenças; tem gente que se agarra àquilo que as faz feliz, e isso não necessariamente é uma religião (meu caso): pode ser trabalho, estudos, ajudar os outros, enfim, uma porção de coisas. Não tem gente que corre para as drogas quando se vê em desespero? Portanto, não tiro o mérito da religião (de todas) nesse ponto. Mas acho que deveria haver um limite nas ações dos órgãos religiosos. O bom senso não deveria ser só dever de quem procura a religião, mas também (e acho que até muito mais) dos órgãos religiosos. (Por quê eu trato as religiões aqui como instituições? Porque são as instituições que causam os problemas. As religiões em si não têm nada a ver com isso; quem deturpa e complica tudo é esse serzinho esquisito que é o ser humano.)

A Igreja, na minha opinião, tem uma falha muito grande: a de tentar (e achar que pode) manipular o comportamento das pessoas. Haja vista a criação dos 7 pecados capitais (que não estão na Bíblia, pois foram criação da instituição mesmo), que nada mais são do que indicações de comportamentos ruins na vida do ser humano. As instituições religiosas têm feitos trabalhos louváveis pela comunidade em geral, como é de se esperar, mas existem pontos em que acho que ela não têm porque - e nem deveriam! - se meter. O caso das cirurgias de laqueadura de trompa e vasectomia é um. Ter um filho hoje em dia não é fácil: o gasto que se tem que ter para criá-lo de maneira decente é muito grande, e tem muita gente que não tem condições para isso. Elas não põe filho no mundo simplesmente porque querem povoá-lo, mas às vezes elas nem ao menos sabem como evitar isso. Mas parece que planejamento familiar é outra coisa que incomoda os religiosos. Duvido que Deus se incomodaria se uma mulher tomasse pílula anticoncepcional e evitasse colocar mais uma criança no mundo para sofrer com fome, frio, e possivelmente acabar nas drogas e morrer antes de chegar aos 20 anos; ela não iria para o inferno por tão "pouco".

Outra coisa é a camisinha. A cada dia mais gente se contamina com doenças sexualmente transmissíveis. Aí vem a ciência e dá um passo gigantesco para evitar isso: o preservativo. E, na contra mão, vem a Igreja, se intrometendo, dizendo que não pode usar preservativo. Quer retrocesso maior que esse? No mundo moderno em que vivemos, a conscientização para o uso de preservativo deveria ser tratada com muito mais seriedade.

Como eu disse, acredito que a religião seja um bom filão em que as pessoas poderiam se apoiar, se isso fizesse de suas vidas um pouco mais agradável; por outro lado, a igreja deveria parar para pesar um pouco suas filosofias com a realidade do mundo hoje. Têm coisas que não dá para ficar levando como se fazia a centenas de anos atrás; as coisas mudam, e as mentalidades têm que fazer uma forcinha para se enquadrar também.


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Angústia

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Esta noite não tenho a quem recorrer. Poderia sair. Ir a um bar. Beber. Conhecer alguém. Falar. Falar... É tão difícil falar. É mais fácil escrever. Mas ultimamente não escrevo. E isso me faz muito mal. Sim, poderia sair. Mas não tenho vontade. Não tenho força. Não tenho força para transpor a noite. (...) A angústia progride. Avança. Invade. Toma conta de todo meu ser. Sinto a mente embotada - não consigo raciocinar. A respiração torna-se ofegante. Algo me oprime o peito. Falta-me o ar. A angústia deve estar muito alta. Sim, terrivelmente elevada. Perigosamente. Mas não se mede a angústica como a febre. Não existe angustiômetro. Não aguento mais. Não posso continuar assim. Não quero. Não tenho mais forças para prosseguir. Esgotei-me. Exauri-me. O nada me absorve. A vontade coagula-se. Hemorragia do desejo. Quero a paz do outro nada. Sim, a paz do outro nada. Não pensar. Não sentir. Não existir. Não ser. Quero acabar de uma vez por todas.

(Trecho de O Bábraro Liberto, de R. Roldan-Roldan)

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Sobre Pensamentos Avulsos...

Pensamentos Avulsos são divagações e outras bobagens que saem da cabeça insana dessa que vos escreve. Espaço livre para meu bel prazer de escrever e expor de alguma forma minhas idéias. Como blogueira, eu gosto de comentários; como escritora, eu preciso de críticas. Ambos me servem como uma espécie de termômetro de qualidade para a minha produção. Portanto, por gentileza, colabore. :-)

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