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Timidez e outras características

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Algumas características pessoais marcam a personalidade das pessoas. Alguns são extrovertidos, outros, mais introvertidos. Timidez, insegurança e ansiedade são características que geralmente andam de mãos dadas. Diferente do que se pensa, essas três características nem sempre são um defeito; muitas vezes são só jeitos de ser, ou até, em um certo nível, mecanismos de defesa. E tem gente que não entende muito bem isso.

Existe um mito corrente de que todo tímido é necessariamente introvertido. Essa é uma história bem fácil de ser desmentida. Um tímido extrovertido parece ser a pessoa mais desenvolta do mundo, quando, na verdade, o que ele faz é enganar muito bem a todos, escondendo relativamente bem os sinais de sua ansiedade. Aquele que fala ao público com naturalidade e brinca o tempo todo dificilmente deixa transparecer o martelar intenso que acontece dentro de seu peito e os escandalosos pensamentos fervilhantes que se atropelam em sua mente para roubarem a cena em sua expressão. Aqueles que se passam por extrovertidos, quando na verdade são supertímidos, só aprenderam a conviver com essa característica.

A timidez é uma característica como outra qualquer, que no conjunto de tantas outras, compõe a exclusividade que uma pessoa representa. O problema começa quando ela atinge proporções relativamente grandes, quando ela se torna incapacitante. A timidez impede por vezes que se tomem atitudes. Em alguns casos, isso chega até a ser uma questão de autopreservação: assim como o medo ou a dor, a timidez preserva o tímido de situações embaraçosas. Por timidez você deixa de fazer algo, mas depois, quando tem a oportunidade de olhar por uma outra perspectiva, percebe que, no fim, foi até bom não ter feito aquilo, que um possível arrependimento foi evitado. Em outras ocasiões, a timidez faz com que nos arrependamos justamente por não termos tomado uma atitude, por não termos feito nada quando tivemos a oportunidade. Deixamos de fazer coisas, não participamos, não experimentamos, não vivemos. Interrompemos o curso de um suposto destino (para aqueles que acreditam nisso) por timidez e insegurança.

Há várias formas de se reconhecer e tratar a timidez. Todas elas, no entanto acabam no mesmo ponto comum: o autoconhecimento. Ao nos conhecermos a nós mesmos, temos a oportunidade de medir com maior precisão até que ponto a timidez é patológica ou não. O autoconhecimento também é uma excelente ferramenta para reconhecermos se estamos satisfeitos ou não com essa nossa característica tão particular, que nos torna quem somos. E se estamos satisfeitos com quem somos, fica mais difícil ceder à imensa pressão daqueles que não são tímidos e não entendem nada do assunto.

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Tempo é Dinheiro

segunda-feira, 31 de março de 2014

Lionel Shriver é famosa por seus livros de temática polêmica. Seu livro mais famoso é Precisamos Falar Sobre Kevin, que inspirou o filme homônimo (http://www.adorocinema.com/filmes/filme-146626/).

Não menos polêmica é a temática central do livro Tempo é Dinheiro. A história se passa em Nova York. Shep Knacker economizou a vida toda para poder um dia finalmente se aposentar precocemente e se mudar com a família para uma ilha na costa africana e viver apenas com o que conseguiu juntar. Quando estava prestes a realizar seu plano e revelar sua intenção à sua esposa, ela lhe revela que vem escondendo dele um câncer incurável. Encurralado, Shep desiste mais uma vez de seu objetivo, uma vez que não poderia deixar seu emprego e ficar sem o plano de saúde corporativo financiado pela empresa em que trabalha nesse momento.

A família do melhor amigo de Shep, Jackson, também se vê em uma situação parecida: com uma filha portadora de uma doença genética degenerativa rara, o plano de saúde é essencial para eles, tornando-os uma espécie de refém de seus trabalhos.

Posteriormente, a saúde de seu pai também se torna fonte de mais prejuízo financeiro para Shep. Diante de tantos baques, Shep e Jackson passam a discutir o custo de vida nos Estados Unidos e o retorno real que tantos impostos têm para o contribuinte. Custear pessoalmente as despesas de um plano de saúde é impensável, devido ao alto custo; pagar sozinho, sem o auxílio desse recurso, pelos tratamentos é igualmente inviável. E como se não bastasse, os usuários desse serviço ainda têm que justificar aos planos porque realmente precisam do tratamento que estão contratando.

Diferente do Brasil, não existe nos Estados Unidos uma estrutura de saúde pública como o SUS. A população consegue apenas um atendimento emergencial, mas todo o tratamento é custeado por ela ou por seu plano de saúde. A população de baixa renda e, especialmente, imigrantes ilegais contam com pouco ou nenhum acesso a esse serviço.

Diante desses argumentos, a autora levanta uma questão importante: quanto vale a vida humana? Por que um tratamento ou a manutenção da saúde acaba se tornando tão cara para a população, quando na verdade é uma necessidade básica? E porque o governo se esquiva tanto – ou se envolve tão pouco – para oferecer às pessoas um bem tão primordial, sendo essa uma de suas obrigações diante de tantos pagamentos recebidos na forma de taxas e impostos?

Empresários discutem a reforma do
sistema de saúde americano, enquanto
a população fica de fora das negociações.
Há vários pontos que podem ser usados de comparação com a realidade brasileira nessa história. Um deles é a oferta de saúde pública. O Brasil está entre os países mais desenvolvidos na área médica, mas tanto desenvolvimento alcança uma minoria que pode custeá-lo do próprio bolso. Por outro lado, existe uma oferta de saúde pública, gratuita, para a população, diferente dos Esta
dos Unidos. Filas em hospitais, falta de leitos e corredores lotados não é melhor lá simplesmente porque são os Estados Unidos. O tratamento aqui é lento, mas pelo menos o paciente não recebe uma conta para pagar junto com sua alta hospitalar.

Pagar um plano de saúde particular, por mais caro que seja, ainda é uma opção aqui. Os planos de saúde são difíceis de lidar tanto aqui quanto lá, sempre tentando encontrar uma escapatória para suas responsabilidades contratadas. Mas ainda assim, aqui é pelo menos possível custear sozinho um serviço desses, sem depender exclusivamente de um emprego em uma empresa que ofereça esse benefício.

O dinheiro dos impostos mal administrado ou desviado criminosamente é algo em que nos igualamos. A única diferença, talvez, é que os cidadãos de lá já se atentaram para o fato de que é o político que trabalha para o povo e não o contrário. Um caso de corrupção lá é julgado, punido e considerado um ato vergonhoso; um caso de corrupção aqui é tratado com descaso, tanto pelo poder público quanto pela população que tanto enche a boca para falar dela e o povo é engambelado até finalmente esquecer de tudo. Nas próximas eleições, um partido coloca um ícone público que não vai fazer absolutamente nada em seu cargo, e que apenas servirá para “puxar” votos para aqueles políticos que a população não quis realmente eleger, e fica tudo certo.

Há no livro várias discussões políticas sobre a administração do dinheiro público e o valor real que o cidadão tem para o Estado. Esse tipo de argumentação é excelente para se fazer comparações e refletir sobre o que encontramos na nossa própria realidade e, com isso, pensarmos melhor sobre o que pode ser feito para mudar a situação - para melhor ou pior. Uma lição importante tirada das atitudes de Shep nesse livro é a de que a felicidade individual e do próximo é de total responsabilidade de próprio indivíduo, ou seja, são as escolhas de uma pessoa que fazem com que sua vida mude. Colocar toda a responsabilidade num governo corrupto e não se dispor a mover um dedo para impedi-lo, seja com votos conscientes ou cobranças dos políticos já eleitos, não muda absolutamente nada - e de quebra ainda dá a vantagem para os corruptos.

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Depressão e atitude

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Depressão é uma doença séria que exige cuidado do paciente e de quem está à sua volta. Mas não é um diagnóstico muito fácil de fazer. Estado depressivo é sintoma de várias doenças, mas muitos médicos, na pressa, determinam que todos estão com depressão e ponto final. Sem um diagnóstico mais aprofundado ou diferencial. É mais fácil receitar logo um remédio (controlado, por causar dependência) do que estudar com mais cuidado cada caso.

Por outro lado, como o deprimido lida com sua doença é algo determinante para seu tratamento – mas os médicos às vezes se esquecem de dizer isso ao paciente. Na verdade, a participação do paciente em qualquer tratamento tem mais importância do que se imagina. Tanto que a terminologia médica mudou de uns anos para cá – a pesar de parecer que ninguém conseguiu se adaptar ainda –: o paciente virou cliente e é parte integrante do processo de cura. A falta dessa conscientização faz com que pacientes e, infelizmente, médicos depositem toda a esperança de recuperação no remédio.

É claro que, em se tratando de doença psiquiátrica, existem variados graus de depressão. Há aquele depressivo assintomático, que de repente se suicida e ninguém sabe explicar por que, já que era uma pessoa tão animada e participativa. Esse é um tipo de depressão especialmente cruel porque não dá sinais de que existe e dificilmente alguém de fora consegue perceber o que se passa para tentar ajudar. Mortes sem explicação ganham a alcunha de suicídio por não haver outra razão lógica aparente. Outros tipos mais clássicos de depressão são mais fáceis de observar: tristeza constante, apatia, falta de apetite, mau humor, sentimento de inferioridade, pessimismo, irritabilidade, e por aí vai. Às vezes o depressivo nem nota esses sinais como um indicativo da doença; quem está à sua volta é que acaba percebendo com mais clareza e tem aí uma chance de ajudar.

Quando se fala de doença psiquiátrica imediatamente o preconceito vem à tona: afinal de contas, psiquiatra é médico de louco, não? Claro que não. Se os psiquiatras tivessem que tratar só os loucos, eles estariam extremamente sobrecarregados e suas agendas seriam mais lotadas do que a da mais requisitada das celebridades. Psiquiatras cuidam das doenças da mente e têm o apoio fundamental dos psicólogos nessa tarefa. E doença da mente não é sinônimo de loucura e, sim, uma doença como outra qualquer. Estando esse ponto esclarecido e o preconceito acabado, muitos depressivos – e portadores de tantas outras doenças psiquiátricas – poderiam desfrutar de uma vida muito melhor. O preconceito faz todo mundo perder tempo e saúde no processo.

Tristeza é natural do ser humano. Basta estar vivo para se decepcionar, se frustrar e ficar deprimido. Estender essa tristeza é preocupante. Mas nem ao menos tentar sair desse estado é mesmo patológico. A atitude de uma pessoa deprimida é determinante para ela sair do estado em que se encontra. Por mais que os amigos tentem animá-la, se ela não decidir abrir a mente para receber esse cuidado, ela só estará se protegendo contra ele.


Ficar triste é normal. Ser triste é opcional.

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Mais uma desculpa

sexta-feira, 6 de maio de 2011


Se dor de cabeça não é mais uma desculpa eficiente para você quando seu namorado quer de qualquer jeito te levar para a cama, seus problemas acabarm! É só dizer que você não está muito afim de fazer sexo hoje porque quer evitar um derrame.

Segundo pesquisa da holandesa Monique Vlak, além de sexo, café e assoar o nariz também estão nas listas do que poderia ser o gatilho dos AVCs. A matéria é da BBC Brasil. Café tudo bem, a gente vive ouvindo dizer que faz mal para tudo – e mesmo assim, não vivemos sem esse energético; seria terrível passar um dia inteiro no escritório sem uma xicarazinha sequer. Mas assoar o nariz? Pois é, parece que sim. Além disso, grandes esforços físicos também estariam do lado dos acidentes vasculares cerebrais.

Logo, o Jaiminho tinha mais do que razão quando dizia que queria evitar a fadiga!

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Modas controversas

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A moda da vez é a Power Balance, que consiste numa pulseira de borracha com um pequeno holograma, que promete fazer com que seu usuário não perca o equilíbrio. A pulseira foi projetada para esportistas, mas como tudo o que é moda, caiu na graça do povo e não é difícil ver pessoas com ela no punho por aí. Efeito semelhante ao que aconteceu com aquelas pulserinhas de borracha, inicialmente criadas pela Nike, há alguns anos, com o objetivo de arrecadar dinheiro para os mais diversos fins filantrópico.

O mais curioso de tudo é que ambas não são nem um pouco baratas. As pulseirinhas da Nike não saiam por menos de R$20,00 e a Power Balance custam em torno de R$130,00. A exemplo do que aconteceu com as pulseiras da Nike, a Power Balance virou mais artigo de moda do que do cunho pelo qual foi lançada. Como já foi dito, todo mundo está usando, e na maioria das vezes esses usuários reclamam de ir à padaria à pé - que dirá praticar esportes. Não vai demorar muito (se é que já não aconteceu) para que elas chegem aos camelôs.

Há uns dias atrás o Globo Esporte resolveu testar a funcionalidade da Power Balance e provou que ela não funciona coisa alguma. Pra reafirmar a descoberta, o Folha de S. Paulo publicou essa semana uma matéria em que Michael King e Malcolm Muirhead, os criadores da Power Balance, admitem que o efeito da pulseira é placebo. Ou seja: na prática, não funciona. Tanto que a ANVISA vetou o comercial da pulseira por considerá-la enganosa. Mas é como disse o Hittler uma vez: uma mentira contada 100 vezes passa a ser verdade.

Para o bem ou para o mal, uma coisa não se pode deixar de admtir: a dupla de americanos é um gênio - eles criaram o placebo mais famoso e melhor sucedido do mundo.


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O lado ruim

quinta-feira, 14 de outubro de 2010


Outro dia eu postei aqui uma defesa sobre a bebida mais popular do país - a cerveja. Alguns dias depois, por acaso encontrei no site Minha Vida, do portal Yahoo!, um artigo que aponta alguns malefícios da bebida, principalmente para as mulheres.

A outra notícia não estava errada; este artigo agora apenas traz informações a mais sobre a cerveja. Segundo esse ele, um estudo realizado pela Harvard, mulheres que apreciam a bebida com uma certa frequência têm mais chances de desenvolver a psoríase, uma doença de pele, que faz com que ela descame e forma uma espécie de calombo vermelho nela. A psoríase é uma doença crônica, auto-imune, e tem cura.

Ou seja, em quantidades moderadas a cerveja faz bem, mas exagerar continua não sendo uma boa idéia. É por isso que eu bebo caipirinha!

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No fundo, eles estavam certos

terça-feira, 27 de julho de 2010


E não é que a tal da loira no fundo no fundo faz bem? Confesso que não sou muito chegada à cerveja - prefiro bebidas doces -, mas essa é a preferência nacional entre as mais diversas classes sociais. Mas enfim, em homenagem a amigos meus, vamos lá.

Já dizia uma personagem de um mangá que leio: a cerveja é uma bebida muito nutritiva, pois é feita de cevada, que é cereal puro!

Sabe aquela história meio "joão-sem-braço" dos adeptos da cerveja que dizem que a bebida é até boa para a saúde, já que é diurética? No fundo, no fundo, eles tinham alguma razão - mas duvido que sabiam disso. Segundo uma pesquisa da Universidade de Califórnia, nos Estados Unidos, a cerveja seria fonte de silício, substância que ajuda a aumentar a densidade dos ossos. Ou seja, a bebida seria uma boa para quem sofre fraturas com freqüência ou tem osteoporose.

Não muito atrás, a Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp também tem um estudo parecido sobre a bebida, que aponta a cerveja como boa para o combate de anemias, doenças cardiovasculares e má formação fetal, já que ela é fonte de vitamina B9, graças à concentraçao de folatos em sua composição.

Mas não se empolgue: a ingestão em excesso da cerveja anularia os efeitos positivos que ela gera. Sem contar embriaguez e os efeitos colaterais que vem com todo bom bêbado, que vão de micos diversos a acidentes sérios. A pesquisa da Unicamp diz que a dose ideal da bebida seria por volta de 350 ml (acho que isso dá mais ou menos uma latinha). E lembrando que gestantes não podem em hipótese alguma ingerir álcool, pois afeta a formação do feto. O que foi dito acima é medida preventiva, a ser tomada antes de se ficar grávida, e não durante a gravidez.

É, nada é perfeito... Mas pelo menos agora os cerveijeiros de plantão têm uma base científica para defender sua bebida favoria.

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Quando chegamos ao fundo do poço

sábado, 24 de outubro de 2009


Quando ouço uma música, raramente faço isso “passivamente”, simplesmente ouvindo a mistura de sons e palavras. Normalmente eu escuto música. Tá aí mais duas palavras que sofrem grande preconceito, e que acabam frequentemente sendo confundidas: ouvir é a ação realizada pelo sentido da audição; escutar, que tem uma sutil diferença do outro verbo, consiste em ouvir para captar o que se ouve, com atenção.

Mas enfim, continuando. Esses dias eu estava ouvindo a música Rise Above This, da banda americana Seether. O que me chamou a atenção nela é seu assunto: é praticamente uma campanha antisuicídio. Aí comecei a notar como esse assunto é recorrente nas músicas. Segue uma pequena lista que eu fiz:

- Seether - Rise Above This
- Good Charlote - Hold On
- CPM 22 - Atordoado
- Oasis - Little by Little
- Linkin Park - Given Up
- Linkin Park - Shadow of the Day

E claro que essas não são as únicas; essas são algumas que eu andei ouvindo e reparando (se alguém souber de alguma mais, favor me contar, para enriquecimento do acervo da minha pesquisa). Note que nessa lista tem de tudo: norte-americanos, britânicos e brasileiros (inclusive nós, que temos a fama de ser o povo mais alegre do mundo). A única música que eu conhecia antes sobre esse assunto era a do Good Charlote, mas esse tema parece estar se tornando um pouco mais popular e menos tabu. Não sei quanto a você, mas isso me parece intrigante.

As estatísticas levantadas pela Organização Mundial de Saúde mostram que em média 3000 pessoas comentem suicídio por dia (dia!!!) – mais ou menos 1 a cada 30 segundos. Ou seja: se você levar 5 minutos para ler esse post, 10 pessoas se mataram nesse meio tempo.

Mas o que leva uma pessoa a querer se matar? Aposto que a primeira palavra que vem à cabeça é depressão, né? Pode ser. Com certeza a depressão leva a pessoa a ver o mundo como o pior lugar para se viver, e nos tira toda a vontade de querer lutar um pouco mais para viver bem. Mas não é só isso. A cultura é algo que influencia bastante – haja vista japoneses e norte-americanos lidarem tão mal com a derrota e cometerem suicídios coletivos quando não passam numa prova de vestibular ou perdem o emprego; nesse caso não havia depressão, mas uma cultura (idiota, na minha opinião, mas enfim...) rígida demais que não enxerga outra opção a não ser vencer.

O suicídio, de uma forma geral, é visto como uma fuga. Digo de forma geral porque estou tentando pensar nos dois lados da moeda: o lado do suicida e o lado de quem ficou vivo. O suicida provavelmente achou que não tinha outro jeito, e “fugiu”; o vivo, se não ficou com pena do sofrimento do coitado do suicida, acha que ele era um covarde e que podia ter tentado mais um pouco.

Eu fico com o time do segundo caso. Além de covarde, o suicida é um egoísta. Será que ele chegou a parar para pensar no sofrimento que ia causar para os que ficaram vivos? Porque, tudo bem, ele estava sofrendo; mas quem ficou vivo com certeza amava ele, e vai passar anos tentando entender o que aconteceu para a situação chegar aonde chegou – isso se não ficar se enlouquecendo tentando se convencer de que a culpa foi sua, quando na verdade não foi.

Quando uma pessoa cai dentro de um poço, fica se esperneando, tentando desesperadamente sair de lá. Aí quando se cansa do esforço, desiste e se rende à gravidade, que a puxa para o fundo. Mas quando chega lá é quando ganha ânimo e energia de novo para se impulsionar para cima novamente. Essa é a teoria do fundo do poço. Ou seja: por pior que seja o problema, sempre tem solução – ou pelo menos uma forma de contorná-lo e superá-lo. O importante é não se desesperar e parar para sentir o fundo do poço, para poder, então, encontrar forças para voltar à tona. O desespero cega; é preciso relaxar um pouco de vez em quando. Como diz uma amiga minha, todas as fases da vida têm que ser vividas – inclusive a dor. Se você está vivo, você está sujeito a ela – mas quando ela passa, você também tem a compensação da recuperação e as risadas sobre o que passou.

Para encerrar, a frase mais verdadeira do mundo, por Carro Velho, o Rei do Elogio:

"Se alguém fechar as portas pra você, não se desespere: pule a janela! Você não é aleijado!"

E o quadro que abre o post é do pintor francês Édouard Manet, e se chama Suicídio.

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Muito barulho por (quase) nada

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O assunto da moda agora é a tal da gripe dos palmeirenses, a gripe suína. Não se fala em outra coisa. Quando eu era criança, a preocupação era a AIDS, depois a gripe aviária. Quando o pânico por uma coisa passa, inventam outro, que é pra manter as pessoas sempre em estado de alarde.

Eu não sou uma punk rebelde pensando propositalmente de forma contrária ao resto do mundo. Mas penso que todo esse barulho que estão fazendo por causa dessa gripe é exagero. Se ela é perigosa, tudo bem; o problema é a forma como estão falando sobre ela.

Imagina a cena: um daqueles filmes pastelões de "sessão da tarde", em que uma autoridade do governo está falando para um auditório lotado dotado de apenas uma saída de emergência. De repente, um agente do serviço secreto entra, sobe discretamente no palco e cochica alguma coisa no ouvido do palestrante. Este, depois de alguns segundos de reflexão, fala no microfone: "Eu fui informado de que há uma bomba relógio no auditório. Mas não se desesperem! Retirem-se ordenadamente pela saída de emergência". O que acontece? Todos saem correndo ao mesmo tempo, gritando, atropelando uns aos outros. É isso o que está acontecendo com o caso dessa nova gripe.

Se o caso é sério - e eu não nego isso -, a forma mais adequada de lidar com isso era informar a população, e não aterrorizá-la. Dizer que, como qualquer outra gripe, o que você precisa é manter-se saudável, manter uma boa alimentação, beber muita água e ter os cuidados mínimos de higiene. E, se por acaso você contrair a gripe mesmo tomando todos esses cuidados, o máximo que acontecerá é você ficar de cama alguns dias, pois se corpo está preparado para enfrentá-la, e depois disso, você estará imune a ela. Simples, não? E muito mais eficaz.

Convenhamos: a mídia está se fazendo de morta com essas atitudes hipócritas. Acidentes de moto matam centenas de pessoas por ano, e nunca ouvi ninguém fazendo alarde e tentando combater a venda e uso desse veículo. O cigarro mata milhares de pessoas por ano no mundo inteiro, e nunca vi ninguém fazendo campanhas de pânico - como essa que estão fazendo com a tal da Gripe A - e proibindo o maldito. Por isso digo que é hipócrita esse barulho todo que estão fazendo.

Para encerrar, assistam a este documentário do argentino Joaquín Arrieta (está em espanhol, mas tem legenda em português); é curtinho: tem apenas 10 minutos. Fala exatamente sobre o que eu penso sobre essa gripe.

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Pseudo-depressão

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Descobri esses tempos atrás uma coisa interessantíssima, da área que eu deixei para trás (a enfermagem): nem sempre depressão é depressão.

Todo mundo quando acorda triste, achando que o mundo é uma droga, que ninguém o ama e ninguém o quer fatalmente pensa: "Sou um depressivo desgraçado!". Se isso já aconteceu com você, cuidado: você pode simplesmente estar passando por uma crise depressiva, e não necessariamente estar sofrendo de depressão. Depressão é uma doença psiquiátrica (pois é, é o psiquiatra que cuida, com ajuda do psicólogo, se ele julgar necessário e te indicar; mas de qualquer forma, o médico certo é o psiquiatra) séria, que ata suas mãos e dificilmente você consegue se livrar disso sozinho. Um depressivo precisa de fato de ajuda especializada - e não é vergonha nenhuma se tratar, muito pelo contrário: vegonha é você não ter controle sobre você mesmo.

A crise depressiva, muito mais amena do que a depressão, é uma coisa até que corriqueira: todo mundo tem, já teve ou invariavelmente um dia vai passar por isso. Quem é que nunca teve um dia ruim? Se você está vivo, está sujeito a isso, não há muito o que se possa fazer. Há quem diga que quem tem bons amigos não sofre de depressão. Bom, a frase deveria falar da crise depressiva, e não da depressão. Amigos ajudam na depressão também, mas na crise depressiva a eficácia deles é mais fácil de ser notada. De qualquer forma, a crise depressiva você consegue reconhecer, e se você não é do tipo que gosta de se fazer de coitadinho, você consegue dominá-la, você não perde o controle.

O problema é que não é "só" isso (como se já não fosse pouco, né?) que pode deixar uma pessoa incontrolavelmente "pra baixo". Existe uma terceira hipótese que muita gente desconhece, e por isso mesmo acava ficando com as opções de título mais comuns (as colegas citadas acima). Uma outra patologia (acho essa palavra mais bonita que "doença") que pode causar crises depressivas (e não depressão) é o hipotireoidismo.

Vamos por partes. Tireóide é uma glândula que todo mundo tem na região da garganta. Como toda boa glândula, ela produz uma caralhada (com o perdão da palavra) de hormônios. Hormônios são substâncias que servem pra fazer todos os processos do seu corpo funcionarem como devem. A grosso modo é isso.

Bom, no caso da tireóide, ela é a estrelinha do seu corpo: sem dúvida é uma das - se não a mais - importante glãndula que você tem. Dentre os zilhões de hormônios que ela produz, estão o tiroxina e o triiodotironina (carinhosamente apelidados de T4 e T3, respectivamente), responsáveis pela manutenção do metabolismo. E metabolismo não está ligado só e simplesmente à velocidade com que seu organismo digere o que você come (bem que ele queria, coitado, mas, infelizmente, por hora vai continuar trabalhando assim, como um camelo, sem ganhar hora extra por isso). Metabolismo é um conjunto de reações necessárias pra fazer todo (eu disse TODO) o seu corpo funcionar, de um modo geral.

Como todo processo fisiológico, a produção desses hormônios não é igual em pessoa nenhuma. Tem gente que produz demais (e aí constitui o hipertireoidismo), tem gente que produz de menos. Quem produz de menos, como o próprio nome diz, tem hipotireoidismo. E por produzir de menos, seu metabolismo trabalha um pouco mais devagar. Por causa disso, a pessoa começa a ter sintomas parecidos com os da depressão: desânimo, sensação de cansaço, de exaustão, falta de iniciativa pra fazer qualquer coisa (síndrome de Macunaíma: Ai! Que preguiça!), sonolência (praticamente um Garfield numa 2ª feira).

Beleza, aí a pessoa se toca dos sintomas, percebe que tem algo errado, e o que ela faz? Procura um psiquiatra! Que resposta mais lógica do que essa? E o psiquiatra faz o que? Diagnostica depressão, o mal do mundo - ou da moda; nem sei mais, viu? Quando na verdade o cara deveria ter procurado um endocrinologista. Com um simples exame de sangue ele teria tirado a dúvida e estaria ciente se o problema dele era na mente ou na tireóide.

Aí o cara vai ao psiquiatra, que receita antidepressivos. Os antidepressivos funcionam, sim, mas só porque eles foram feitos pra combater os sintomas da depressão - que são quase os mesmo do hipotireoidismo. Ou seja, sem querer, o cara vai camuflar essa última doença com remédios pra tratar a primeira. Sei lá, na minha rápida experiência com área da saúde eu aprendi que remédio é coisa seríssima, então você tem que prestar muita atenção quando tiver que fazer isso. Remédio é uma droga que vai alterar alguma coisa no seu organismo, então tem que ter um porquê importante pra isso.

Bom, pra terminar, antes que eu fuja do assunto (sou expert nisso!), se você se está se sentindo um lixo, acha que esse mundo é uma droga e não é emo, você pode não ter depressão, e sim estar simplesmente passando por uma crise depressiva graças à sua querida tireóide. O cara certo é o endocrinologista, e não o psiquiatra. E se, por acaso, o endócrino te disser que está tudo bem com suas glândulas, aí sim você deve procurar o psiquiatra.

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Sobre Pensamentos Avulsos...

Pensamentos Avulsos são divagações e outras bobagens que saem da cabeça insana dessa que vos escreve. Espaço livre para meu bel prazer de escrever e expor de alguma forma minhas idéias. Como blogueira, eu gosto de comentários; como escritora, eu preciso de críticas. Ambos me servem como uma espécie de termômetro de qualidade para a minha produção. Portanto, por gentileza, colabore. :-)

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