Tempo é Dinheiro

segunda-feira, 31 de março de 2014

Lionel Shriver é famosa por seus livros de temática polêmica. Seu livro mais famoso é Precisamos Falar Sobre Kevin, que inspirou o filme homônimo (http://www.adorocinema.com/filmes/filme-146626/).

Não menos polêmica é a temática central do livro Tempo é Dinheiro. A história se passa em Nova York. Shep Knacker economizou a vida toda para poder um dia finalmente se aposentar precocemente e se mudar com a família para uma ilha na costa africana e viver apenas com o que conseguiu juntar. Quando estava prestes a realizar seu plano e revelar sua intenção à sua esposa, ela lhe revela que vem escondendo dele um câncer incurável. Encurralado, Shep desiste mais uma vez de seu objetivo, uma vez que não poderia deixar seu emprego e ficar sem o plano de saúde corporativo financiado pela empresa em que trabalha nesse momento.

A família do melhor amigo de Shep, Jackson, também se vê em uma situação parecida: com uma filha portadora de uma doença genética degenerativa rara, o plano de saúde é essencial para eles, tornando-os uma espécie de refém de seus trabalhos.

Posteriormente, a saúde de seu pai também se torna fonte de mais prejuízo financeiro para Shep. Diante de tantos baques, Shep e Jackson passam a discutir o custo de vida nos Estados Unidos e o retorno real que tantos impostos têm para o contribuinte. Custear pessoalmente as despesas de um plano de saúde é impensável, devido ao alto custo; pagar sozinho, sem o auxílio desse recurso, pelos tratamentos é igualmente inviável. E como se não bastasse, os usuários desse serviço ainda têm que justificar aos planos porque realmente precisam do tratamento que estão contratando.

Diferente do Brasil, não existe nos Estados Unidos uma estrutura de saúde pública como o SUS. A população consegue apenas um atendimento emergencial, mas todo o tratamento é custeado por ela ou por seu plano de saúde. A população de baixa renda e, especialmente, imigrantes ilegais contam com pouco ou nenhum acesso a esse serviço.

Diante desses argumentos, a autora levanta uma questão importante: quanto vale a vida humana? Por que um tratamento ou a manutenção da saúde acaba se tornando tão cara para a população, quando na verdade é uma necessidade básica? E porque o governo se esquiva tanto – ou se envolve tão pouco – para oferecer às pessoas um bem tão primordial, sendo essa uma de suas obrigações diante de tantos pagamentos recebidos na forma de taxas e impostos?

Empresários discutem a reforma do
sistema de saúde americano, enquanto
a população fica de fora das negociações.
Há vários pontos que podem ser usados de comparação com a realidade brasileira nessa história. Um deles é a oferta de saúde pública. O Brasil está entre os países mais desenvolvidos na área médica, mas tanto desenvolvimento alcança uma minoria que pode custeá-lo do próprio bolso. Por outro lado, existe uma oferta de saúde pública, gratuita, para a população, diferente dos Esta
dos Unidos. Filas em hospitais, falta de leitos e corredores lotados não é melhor lá simplesmente porque são os Estados Unidos. O tratamento aqui é lento, mas pelo menos o paciente não recebe uma conta para pagar junto com sua alta hospitalar.

Pagar um plano de saúde particular, por mais caro que seja, ainda é uma opção aqui. Os planos de saúde são difíceis de lidar tanto aqui quanto lá, sempre tentando encontrar uma escapatória para suas responsabilidades contratadas. Mas ainda assim, aqui é pelo menos possível custear sozinho um serviço desses, sem depender exclusivamente de um emprego em uma empresa que ofereça esse benefício.

O dinheiro dos impostos mal administrado ou desviado criminosamente é algo em que nos igualamos. A única diferença, talvez, é que os cidadãos de lá já se atentaram para o fato de que é o político que trabalha para o povo e não o contrário. Um caso de corrupção lá é julgado, punido e considerado um ato vergonhoso; um caso de corrupção aqui é tratado com descaso, tanto pelo poder público quanto pela população que tanto enche a boca para falar dela e o povo é engambelado até finalmente esquecer de tudo. Nas próximas eleições, um partido coloca um ícone público que não vai fazer absolutamente nada em seu cargo, e que apenas servirá para “puxar” votos para aqueles políticos que a população não quis realmente eleger, e fica tudo certo.

Há no livro várias discussões políticas sobre a administração do dinheiro público e o valor real que o cidadão tem para o Estado. Esse tipo de argumentação é excelente para se fazer comparações e refletir sobre o que encontramos na nossa própria realidade e, com isso, pensarmos melhor sobre o que pode ser feito para mudar a situação - para melhor ou pior. Uma lição importante tirada das atitudes de Shep nesse livro é a de que a felicidade individual e do próximo é de total responsabilidade de próprio indivíduo, ou seja, são as escolhas de uma pessoa que fazem com que sua vida mude. Colocar toda a responsabilidade num governo corrupto e não se dispor a mover um dedo para impedi-lo, seja com votos conscientes ou cobranças dos políticos já eleitos, não muda absolutamente nada - e de quebra ainda dá a vantagem para os corruptos.

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Você já pensou em ser escritor?

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ler é uma paixão, tanto quanto música, roupas ou qualquer outra. Cada um tem seus gostos e preferências e a diversidade é que torna o mundo um lugar mais bonito. Mas muitas vezes uma paixão se torna um hobby e o hobby se torna sonho. Apaixonados por roupas abrem lojas ou criam suas próprias grifes; apaixonados por música arriscam uma poesia aqui e umas notas ali, até criarem uma banda de garagem e seguirem em frente atrás de um sonho.

Quem gosta de ler não poderia ter um destino diferente. Muitos apaixonados pelas palavras escolhem esse caminho como um hobby e isso cresce a ponto de virar um sonho. O caminho para a realização é árduo, mas não impossível. Algumas coisas podem tornar o caminho mais fácil, como a prática e o estudo.

Com essa intensão, Sonia Belloto criou a oficina Fábrica de Textos, que ganha cada vez mais edições por todo o país a cada ano. Com base em sua vasta experiência, a autora ministra oficinas que ajudam o escritor em potencial a concretizar seu sonho de colocar no papel uma boa ideia de história. E para registrar sua experiência, fez-se necessário o nascimento do livro Você Já Pensou em Escrever um Livro?, que traz dicas para começar a escrever, como elaborar enredos e personagens, como pensar em seu público alvo e, especialmente, como começar a busca por publicação.


A obra cumpre com o que promete logo na capa, desmistificando a arte literária para leigos, reduzindo o estresse inevitável na produção de seu próprio livro. Trata-se de um material introdutório imprescindível na carreira de um escritor que quer ver seu livro pronto, mas não sabe bem por onde começar.

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Frozen e suas várias leituras

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Nos contos de fadas e histórias sobre príncipes e princesas, um grande problema envolve a vida de duas pessoas, normalmente relacionado a magia e ao fantástico. Em geral, a convivência faz com que essas pessoas descubram melhor umas às outras e elas fatalmente acabam se apaixonando.

Porém, apenas com a resolução do problema é que elas podem finalmente encontrar o seu “felizes para sempre”. Essa busca envolve tempo, determinação, vontade de se sacrificar pelo outro, enfim, uma infinidade de características nobres, todas elas resultado de uma só arma eficiente contra todo o tipo de mal: o amor verdadeiro.

Os contos de fada em geral e as histórias da Disney nos ensinam algo forte desde que nascemos: mães, pais, família, nada importa. Só o príncipe encantado e a bela princesa é que conseguem demonstrar esse amor verdadeiro.

Em Frozen, Eliza nasce sob uma maldição: ela tem o poder do frio em suas mãos e pode congelar o que quiser. No início, isso é até divertido, mas com o tempo seus poderes ficam mais fortes a ponto de ela não conseguir controlá-los. Seus pais, numa tentativa desesperada de proteger duas filhas, isola Eliza e não deixa que a caçula, Anna, entre em contato com a irmã. Sem entender, Anna cresce na solidão do palácio, sem amigos e numa dúvida cruel sobre o motivo que levou a família real a se isolar do mundo.

Eliza é a garota que chega à adolescência e não consegue controlar seus sentimentos. Uma vez sozinha e fora do alcance de olhares críticos e acusadores dos outros, ela se sente finalmente livre e capaz de aprender a ter controle sobre si mesma. A garota, porém, só não teve muita prática em lidar com outras pessoas, portanto não sabe direito como agir com elas, o que a deixa bastante insegura. Esse é um comportamento totalmente esperado de uma jovem superprotegida que foi mantida sob uma redoma para sua própria proteção, segundo seus próprios pais.

Por outro lado, temos um jovem simples e divertido, cujo melhor amigo é um mascote, e que, como todo
jovem rapaz, quer se exibir para uma jovem bonita. Anna, a caçula da família real, é a garota romântica e sonhadora que jura ter se apaixonado à primeira vista pelo príncipe Hans, rapaz que nunca tinha visto na vida. Se por um lado ela só quer viver um grande amor com seu príncipe, por outro, se preocupa com o destino da irmã.


No decorrer da história, pode-se observar várias formas de amor. O amor interesseiro do príncipe Hans; o amor paternal e protetor do casal real; o amor entre dono e mascote; o amor que nasce de uma amizade inesperada; e até o amor entre irmãos. O mais interessante do filme é justamente essa desmistificação do amor, tornando sua abrangência uma coisa mais ampla e variada que pode se manifestar de várias formas e nem por isso ser menos verdadeiro.


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Contos dos Irmãos Grimm

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Os contos de fadas são histórias criadas para entreter, mas também para ensinar. Várias características comuns aos contos de fadas são importantes na formação psíquica e desenvolvimento pedagógico das crianças. Muitos estudiosos já trataram do assunto e talvez o trabalho mais interessante sobre isso é o livro A Psicanálise dos Contos de Fadas, de Bruno Betteheim (disponível para download integral gratuito aqui). Em seu livro, Betteheim faz uma profunda análise sobre os mais variados títulos de contos de fadas conhecida. O objetivo dos contos de fadas, portanto, é edificante e construtivo. Existe uma postura geral em que o bem sempre vence o mal e o mal sempre acaba perdendo. Um recado para as crianças escolherem desde cedo de que lado vale mais a pena ficar.

Os irmãos Grimm
No caso dos contos dos irmãos Grimm a história já é um pouco diferente. O objetivo inicial dos Grimm ao reunir seus contos em um único livro era simplesmente reunir as histórias contadas de boca a boca pelo povo alemão, que ainda não tinha o hábito de registrar essas histórias. Sem registro, elas estariam fadadas a morrer e desaparecer com o iminente fim da tradição de contar histórias. Nessa época, vários acadêmicos em toda a Alemanha estavam empenhados em criar formas de fortalecer o patriotismo do país, e os Grimm eram apenas alguns dos envolvidos nessa corrente.

Posto isso, engana-se quem acredita que o objetivo desses contos era proporcionar uma moral edificante. Muito diferente dos contos de fadas, é fácil notar várias características subversivas nessas histórias para crianças e adultos. A futilidade muitas vezes é exaltada em contraste a características mais nobres. Ser a mais bela, por exemplo, é sempre de importância vital. Essa característica lembra a mitologia grega, em que as deusas são extremamente vaidosas e vivem competindo para provar quem é a melhor no quesito.

Branca de Neve
Os homens, nos contos dos Grimm, também só têm valor quando são belos. Personagens feios se tornam
heróis/heroínas apenas quando adquirem beleza ou conseguem solucionar um problema físico. A relação de poder e beleza está sempre em evidência: o príncipe só se casa com a plebeia mais bela, é vencedor aquele(a) que consegue o parceiro mais belo. Na mitologia grega, os deuses escolhem os mortais mais belos para seduzir e os semideuses nascem apenas de relacionamentos com essas pessoas.

É possível notar uma forte relação com o número três: são sempre três provas, três concorrentes, três conselhos/conselheiros, três prêmios. Na mitologia, Cérbero, o cachorro de Hades, possui três cabeças. Na entrada do submundo existem três guardiões dos fios da vida das pessoas, as Moiras. Nos Grimm, o terceiro é sempre o bem-sucedido; geralmente o mais novo, o mais fraco, o mais desacreditado, como se fosse uma forma de compensação com relação às vantagens dos outros dois. Além disso, o universo parece conspirar a favor dos terceiros, por valorizarem suas boas características morais, como humildade, trabalho, obediência, disciplina.

A Princesa e o Sapo
Os contos dos Grimm, no entanto, não têm o objetivo nobre das fábulas e contos de fadas. Em muitas histórias, o personagem que leva a melhor trapaceia e vive pregando peças nos outros, às vezes sem punição. As punições, aliás, são sempre muito severas; consistem em castigos físicos e até em morte. Para fazer um paralelo com a mitologia grega, as punições aplicadas são sempre relacionadas a esforço (como Atlas e Prometeu) ou com transfigurações (Narciso).

Em termos de literatura, existe a teoria de que nenhuma história é totalmente original. Um dos fatos que comprova essa teoria é a possibilidade de se encontrar hipertextos nas histórias e de se estabelecer paralelos a partir daí. Não se trata de plágio, pois não é questão de cópia pura, mas, sim, de influência e criatividade para renarrar fatos – mesmo que não baseado em fatos reais. Outra hipótese é que toda história repassada oralmente tende a ganhar ou perder elementos. O trabalho dos Grimm foi reunir histórias contadas em toda a Alemanha. Em algumas delas foi possível observar um enredo semelhante e chegar-se a conclusão de que se tratavam da mesma história; outras, entretanto, só pareciam semelhantes, pois seus detalhes variavam tanto que era mais prático registrá-las como histórias diferentes.

Outra evidência, ainda, é a semelhança com os contos clássicos da mitologia. Mesmo entre a mitologia grega e a nórdica existem muitas semelhanças, com diferenças apenas nos nomes. A Alemanha sofreu influência da mitologia nórdica, por isso é normal que seus contos populares sejam semelhantes à ela.

João e Maria

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Técnicas para Escrever Ficção – Julio Rocha

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Escrever deixou de ser uma prática restrita a nerds e escritores de gaveta depressivos. Hoje, o mercado oportunistas. Compartilhar conhecimento e técnicas para se desenvolver e estimular o processo criativo é algo excelente, e não existia muitos cursos, oficinas e literatura sobre o assunto há alguns anos atrás. Essa revolução do conhecimento nesse campo faz parte dos dias de hoje. A Internet, com cursos virtuais no estilo EAD (ensino à distância) contribuiu bastante com o crescimento desse mercado editorial incentiva o surgimento de novos autores e, na rabeira desse sucesso contemporâneo, vieram vários

Para ter o sonho de publicar o primeiro livro, muitos autores recorrem a editoras menores, pois as grandes editoras possuem um processo de seleção bem mais rigoroso. Uma vez publicado seu livro, o autor tem a oportunidade de colocar em jogo todo o poder de marketing que sua criatividade lhe permitir e, assim, conforme desponta no mercado literário, traz reconhecimento para sua editora e para si mesmo. Esse reconhecimento é o que o destaca e chama atenção das grandes editoras. Grande parte dos bons autores que temos hoje no mundo todo começaram com publicações independentes ou em editoras pequenas em processo de início de carreira.

Uma modalidade de autopromoção encontrada por alguns autores é a confecção de palestras e workshops ensinando as técnicas para escrever e publicar um livro. Alguns são autênticos, outros se desenvolvem seu próprio conteúdo sobre aquilo que aprenderam antes com outros mestres, que lhes possibilitaram escrever seu próprio livro.

Esse é o caso de Julio Rocha, autor de Teia Negra. Tendo lançado este livro, em seguida o autor se lançou ao mercado de educação em prol de novos escritores. O autor possui duas obras de ficção e uma técnica, que é o livro de que trada este artigo.

O objetivo por trás da criação desse livro fica bem claro para o leitor: a autopromoção do romance “Teia Negra”. Em todo o livro, Rocha não perde uma única oportunidade de citá-lo, fazendo isso até em momentos em que o artifício é irrelevante. A maioria dos tópicos torna-se desculpa para se apresentar trechos do livro. Em poucos deles o exemplo é realmente justificado.

Ele cita várias obras ao longo do livro, justamente com o nome de seus respectivos autores, mas não existe bibliografia ao final do livro, como manda as normas de publicação. As referências são escritas de maneira informal e também não seguem as normas editoriais.

O índice não possui numeração, mas os capítulos são organizados em ordem numérica. Essa é uma inconsistência grave do ponto de vista gráfico. O estilo dos títulos deve ser padronizado e, portanto, aparecer de forma igual tanto no índice quanto nos inícios de capítulo.

Logo na introdução o autor explica o propósito do livro. Como o próprio título já expõem, esse é um material técnico, que aborta aspectos da arte de escrever ensinando ao escritor como melhor utilizar as palavras para contar histórias. Essa apresentação, no entanto, parece contraditória conforme a leitura flui. Os tópicos possuem explicações vagas ou inexistentes para as técnicas utilizadas. Em vários capítulos o autor apenas cita técnicas literárias observadas em outros autores, mas não cita exemplos ou, quando o faz, se limita a isso, sem explicar o que foi observado e como funciona essa técnica. Às vezes fica difícil compreender o que o autor está querendo dizer.

Em diversos momentos o autor cita técnicas literárias e se esquiva de explicá-las. Como exemplo, falando sobre a utilização de ponto de vista neutro em narrativas, o autor cita a obra HarryPotter, mas conclui sua citação com as seguintes palavras:

“De qualquer forma, o ponto de vista neutro é difícil de ser usado e somente deve ser por aqueles que dominam a técnica, portanto não vou me aprofundar.” (ROCHA, 2010, p. 39)

Ou seja, Rocha se propõe com a fazer uma análise de técnicas literárias e ensiná-las ao escritor que pretende conhecer o funcionamento da criação e melhorar suas próprias técnicas de escrita, mas se esquiva da conclusão do trabalho. Com isso, o leitor termina com mais dúvidas sobre o assunto do que quando começou a leitura do livro.

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Círculo de Fogo

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Para quem gosta de filmes de ação e ficou encantado com a tecnologia 3D, esse é um excelente filme. Parece, aliás, que o único foco do filme era esse. O enredo fraco e inconsistente é completamente ofuscado pela demonstração de destreza em trabalhar com técnicas de efeitos especiais e configuração 3D para uma película.

Em Círculo de Fogo, seres monstruosos, os Kaijus, começam a surgir das profundezas do oceano, ameaçando a sobrevivência humana. Para combatê-los, os humanos desenvolvem robô gigantes, os Jaegers, que são controlados por duas pessoas altamente capacitadas para a missão. No entanto, os monstros evoluem e os grandes Jaegers começam a ficar obsoletos diante da ameaça. Um general do exército, responsável por essa missão, resolve então apostar em um robô aposentado e, por tanto, obsoleto, e em seu antigo piloto.

Várias lutas são travadas no mar entre esses monstros e os grandes robôs, algo bem parecido com as batalhas entre monstros de Rita Repulsa e Megazords (lembrando que nos Power Rangers a ideia era a mesma: um robô gigante pilotado por pessoas contra um monstro enorme ameaçando o planeta). Em uma dessas cena de briga de monstro contra robô gigante aparece um helicóptero passando na frente dos gigantes por alguns segundos, imitando a clássica cena de King Kong no alto do prédio. É uma cena totalmente dispensável, que não acrescenta absolutamente nada à história, e que está lá apenas para lembrar ao espectador que o filme é 3D.

Uma das inconsistências mais gritantes do filme é a mudança radical de personalidade do personagem bad boy: inicialmente ele é aquele personagem que se acha o principal da missão e que sem ele a derrota era evidente. Sendo assim, não é difícil entender que é um personagem difícil, antipático e que não faz amizades muito facilmente, a não ser por interesse. De repente, na metade do filme, sua personalidade muda drasticamente, sem nenhuma transição aparente que justificasse a mudança, e ele termina como o bom moço, o herói que dá sua vida para salvar o mundo. Houve até um motivo que o fizesse mudar de posição, mas não houve tempo suficiente para a concretização dessa mudança no filme. O desenvolvimento do enredo foi tão acelerado que mudanças de opinião, postura e caráter aconteceram de foram muito repentina, como em um passe de mágica, o que conferiu um ar não natural à história.

E eis que, entre tantas releituras, ressuscitaram o Hellboy! Ron Pearlman interpreta um personagem com umHannibal Chau, um trambiqueiro multimilionário, branco feito papel e bem menos musculoso. Sua fortuna é fruto de um mercado negro encabeçado por ele que é alimentado por órgãos de Kaijus roubados do governo. Ainda assim, ele é um dos personagens mais interessantes do filme.
estilo muito parecido ao herói dos quadrinhos. Agora ele é

Círculo de Fogo é um filme de ação razoável, mas não passa disso. Agrada a quem gosta de efeitos especiais, mas não satisfaz quem acha que o enredo é parte importante em uma película. São bons elementos sem uma liga muito consistente.

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Um mês para escrever

sábado, 21 de dezembro de 2013

Em geral vários artistas das palavras passam por um sério problema: nossa mania de sermos escritores de gaveta. Temos várias ideias – elas não param de aparecer a todo o momento, em todos os lugares, nas situações mais inusitadas possíveis. Aí decidimos fazer algumas anotações dessas ideias para não as perdermos e desenvolvermos melhor a história depois. Fazer anotações é ótimo, porque não há memória que chegue para tanta informação, que dirá para tanta ideia. O problema está no depois: dificilmente esse prazo chega e a uma grande história em potencial fica fadada a passar o resto da vida em esquecida em uma gaveta – ou em HDs computadores à fora, que é mais condizente com esse mundo moderno.


Sofrendo desse mesmo mal, o escritor Chris Baty lançou um desafio a um grupo de 21 pessoas (ele incluso): escrever 50.000 palavras em um mês. O desafio foi lançado em 1999 e deu tão certo que no ano seguinte ele resolveu aprimorá-lo, definindo um mês oficial para isso: novembro. E assim nasceu o NaNoWriMo, sigla que significa “National November Writing Month”, ou “Mês de Novembro Nacional de Escrita” em português. 


Como o mau hábito de postergafan pages independentes espalhadas por diversas redes sociais, fóruns animadíssimos e entusiastas que se unem no mundo real com um único objetivo: escrever.
r é uma característica arraigada em boa parte dos escritores no mundo todo, o negócio cresceu muito e continua crescendo mais a cada ano. Hoje o NaNoWriMo conta com mais de 300 mil participantes de todo o mundo, além de centenas de

O desafio é simples: escrever um romance com no mínimo 50.000 palavras entre às 0h00 do dia 1º de novembro e às 23h59 do dia 30 de novembro. Na verdade, contos também são aceitos, mas a soma de todos tem que ser as tais 50.000 palavras. Isso da uma média de 1667 palavras por dia, ou aproximadamente 4 páginas totalmente escritas. A ideia é simplesmente sentar e escrever, “como se não houvesse amanhã”. Teorias sobre a escrita sugerem exatamente essa técnica para “ativar” a criatividade: escrever, escrever e escrever; quando esquentar você já vai estar escrevendo algo com mais sentido e a imaginação já estará voando alto. E nada de ficar parando para corrigir coisas absurdas que você tenha escrito, como dizer que aquela garota loira de repente apareceu com cabelos vermelhos na festa do príncipe em um castelo bem no meio de uma grande metrópole do século XXI.

Exageros à parte, resolvi aceitar o desafio. Eu estou entre a centena de escritores com uma pilha de rascunhos que nunca saíram da gaveta e a rotina tinha me afastado bastante da minha arte, a ponto de afetar minha criatividade. Estava bem difícil sentar e ter ideias. Como qualquer tipo de atividade, quando você para de fazer, você enferruja. Com a escrita não é diferente.

Outro ponto à favor: o incentivo de outros. Realizar uma atividade sozinho é possível, mas pouco estimulante. O NaNoWriMo é uma comunidade de pessoas que estão no mesmo barco: escritores amadores que sonham em se tornar profissionais ou que escrevem pelo simples prazer que a arte proporciona. Elas trocam ideias e palavras de incentivo durante todo o mês (e fora dele também) para que ninguém desanime e para que todos consigam chegar até o final. Esse apoio é algo que realmente anima na jornada, especialmente nos dias mais fracos de inspiração.

Funciona? Talvez. Para mim funcionou em partes. Eu consegui pelo menos pensar na minha história todos os dias durante o mês de novembro (por sinal, boas ideias de cena para ela continuam surgindo a todo momento). Nem todos os dias foram frutíferos: em alguns mais inspirados eu passei de 3.000 palavras; em outros, com muito esforço consegui passar de 1.000 e atingir pelo menos a meta diária. Para ajudar, novembro foi um mês com muito trabalho para mim, e tinha noites que eu simplesmente estava cansada demais para pensar, que dirá escrever. Também tive outros contratempos e compromissos que me atrasaram e, no final, não consegui terminar o desafio: meu romance acabou em 42.090 palavras (99 páginas). 

Nos dias de pouca produção eu usei tantos adjetivos que até eu bocejava com tanta monotonia. O máximo de “não edição” que consegui foi não ficar voltando para corrigir o trabalho que já tinha feito, com uma única exceção: quando eu tinha uma ideia que precisava ser inserida no meio do texto que já estava pronto. Em geral, escrevi tudo com muito nexo e coerência, mas não fui capaz de fazer um brainstorm de ideias sem fim só para chegar à meta final.

De qualquer forma, fiquei extremamente satisfeita com meu resultado. Depois de anos eu consegui finalmente dar uma forma a uma de tantas histórias aguardando na fila para serem escritas. Meu romance segue uma linha lógica com 99 páginas, o que vai me poupar muito trabalho de edição quando eu for revisá-lo. Além disso, foi uma excelente experiência, por dois motivos: estimulou novamente meu processo criativo e meu prazer pela arte das palavras, e me proporcionou uma ótima técnica para trabalhar em meus romances parados aqui. 

Esse romance começado em novembro eu termino antes do final do ano (meta pessoal), para poder revisar lá para fevereiro ou março e dá-lo por definitivamente concluído. Aguardem as cenas dos próximos capítulos.


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O mercado dos sonhos

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Estamos entrando em uma era em que ler é pop. O lado bom disso é que ninguém mais te olha como se você fosse o mais estranho dos nerds quando diz que entre seus hobbies favoritos está a leitura. E quando diz que escreve, também não esperam de você uma erudição sem paralelo.

Com isso, o mundo da escrita ficou mais acessível. Hoje literalmente qualquer um pode escrever um livro e publicá-lo não é mais uma tarefa tão complicada. Trata-se ainda de um processo dispendioso, mas mesmo assim, um sonho bem mais fácil de alcançar.

E quem tem aproveitado o nicho para fazer algum dinheiro são as editoras. Nos últimos anos, novas editoras se proliferaram com uma velocidade incrível no mercado. A maioria das novatas vestiu a camisa de apoio ao novo escritor. Com essas editoras, o escritor consegue tiragens menores a preços nem tão exorbitantes assim, mas sua visibilidade é bem pequena e todo seu marketing depende praticamente só dele.

Algumas grandes editoras também não quiseram ficar de fora. Como reforça o alerta do excelente blog Um Livro Qualquer, muitas editoras se tornaram uma verdadeira empresa de livros que se especializam em se aproveitar do sonho dos outros para enriquecer. Elas ganham do escritor para lançar seu livro como um piloto. Se o livro não vingar, pelo menos não perderam nem um centavo se quer com a produção; mas se, por acaso, o autor se mostrar um sucesso em potencial, talvez ele seja “promovido” ao tipo de autores profissionais da editora.

Um artigo da revista Piauí de novembro de 2011 levanta ainda outras questões sobre o assunto. Com a pressa do mercado por novos livros, a qualidade do que se escreve é algo que pode ser deixado em segundo plano. O mercado quer escritores que escrevam a toque de caixa, mas pouco importa o tema, a qualidade com que escrevem,
a linguagem usada; o importante é vender mais e mais. Essa falta de zelo é notável pela má qualidade de textos que vemos hoje. Até uns anos atrás era quase impossível encontrar erros de grafia ou gramática nos livros; hoje não tem um livro em que um errinho de português não tenha passado. Os revisores são cada vez mais subestimados e dispensados; a tarefa de revisão de texto foi agregada ao cargo de escritor. O editor, que deveria fazer um trabalho parecido, hoje nada mais é do que uma espécie de olheiro literário. Alguns escritores até parecem terem sido mal informados sobre a economia em revisão e a necessidade de fluência no idioma nativo.

E então surgem dia após dia infinitos cursos de escrita criativa e sobre o processo de publicação de um livro. Escritores que publicaram apenas um ou dois livros, mas foram um sucesso imediato de vendas para a editora, são incentivados a dar cursos desse tipo – para todos os gostos e bolsos – para angariar mais incautos para os bolsos das editoras. Os cursos em si não são ruins e nem quem os procura está errado. Atividades para melhorar uma habilidade é imprescindível para quem leva a sério um sonho. O cruel é o objetivo por trás da maioria desses cursos (porque nem todos são terreiros de editoras).

Destaco o seguinte trecho da matéria da revista Piauí:

“Ao se privilegiar as obras, se pressupõem que nem todos podem ser autores, e que nem todas as autorias são iguais. E nada mais natural, depois de tanto esforço de marketing a celebrar a figura do autor, que a obra tenha passado a ocupar um lugar secundário e insignificante.”

A obra perde status para o produto. Mais vale um autor carismático que o que ele escreve.

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Depressão e atitude

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Depressão é uma doença séria que exige cuidado do paciente e de quem está à sua volta. Mas não é um diagnóstico muito fácil de fazer. Estado depressivo é sintoma de várias doenças, mas muitos médicos, na pressa, determinam que todos estão com depressão e ponto final. Sem um diagnóstico mais aprofundado ou diferencial. É mais fácil receitar logo um remédio (controlado, por causar dependência) do que estudar com mais cuidado cada caso.

Por outro lado, como o deprimido lida com sua doença é algo determinante para seu tratamento – mas os médicos às vezes se esquecem de dizer isso ao paciente. Na verdade, a participação do paciente em qualquer tratamento tem mais importância do que se imagina. Tanto que a terminologia médica mudou de uns anos para cá – a pesar de parecer que ninguém conseguiu se adaptar ainda –: o paciente virou cliente e é parte integrante do processo de cura. A falta dessa conscientização faz com que pacientes e, infelizmente, médicos depositem toda a esperança de recuperação no remédio.

É claro que, em se tratando de doença psiquiátrica, existem variados graus de depressão. Há aquele depressivo assintomático, que de repente se suicida e ninguém sabe explicar por que, já que era uma pessoa tão animada e participativa. Esse é um tipo de depressão especialmente cruel porque não dá sinais de que existe e dificilmente alguém de fora consegue perceber o que se passa para tentar ajudar. Mortes sem explicação ganham a alcunha de suicídio por não haver outra razão lógica aparente. Outros tipos mais clássicos de depressão são mais fáceis de observar: tristeza constante, apatia, falta de apetite, mau humor, sentimento de inferioridade, pessimismo, irritabilidade, e por aí vai. Às vezes o depressivo nem nota esses sinais como um indicativo da doença; quem está à sua volta é que acaba percebendo com mais clareza e tem aí uma chance de ajudar.

Quando se fala de doença psiquiátrica imediatamente o preconceito vem à tona: afinal de contas, psiquiatra é médico de louco, não? Claro que não. Se os psiquiatras tivessem que tratar só os loucos, eles estariam extremamente sobrecarregados e suas agendas seriam mais lotadas do que a da mais requisitada das celebridades. Psiquiatras cuidam das doenças da mente e têm o apoio fundamental dos psicólogos nessa tarefa. E doença da mente não é sinônimo de loucura e, sim, uma doença como outra qualquer. Estando esse ponto esclarecido e o preconceito acabado, muitos depressivos – e portadores de tantas outras doenças psiquiátricas – poderiam desfrutar de uma vida muito melhor. O preconceito faz todo mundo perder tempo e saúde no processo.

Tristeza é natural do ser humano. Basta estar vivo para se decepcionar, se frustrar e ficar deprimido. Estender essa tristeza é preocupante. Mas nem ao menos tentar sair desse estado é mesmo patológico. A atitude de uma pessoa deprimida é determinante para ela sair do estado em que se encontra. Por mais que os amigos tentem animá-la, se ela não decidir abrir a mente para receber esse cuidado, ela só estará se protegendo contra ele.


Ficar triste é normal. Ser triste é opcional.

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Maus

domingo, 17 de novembro de 2013

Segunda Guerra Mundial é um tema recorrente demais. O evento foi tão chocante para a humanidade que foi retratado em várias formas artística, como uma forma de expurgo, de desabafo, uma maneira de amenizar o sofrimento, mas eternizar o que aconteceu para que próximas gerações jamais esqueçam o nível de crueldade a que pode chegar uma espécie. Inúmeras são as obras que tratam do assunto, e a partir dos mais variados pontos de vista: “A Lista de Schindler” e, mais recente, “A Menina que Roubava Livros”, na literatura (e cinema); “O Resgate doSoldado Ryan” e “O Pianista”, nas telonas; em várias músicas de bandas como Blind Guardian (Another Holy War), System of a Down (BYOB) e até a brasileira Legião Urbana (A Canção do Senhor da Guerra).

Nos quadrinhos, o exemplo mais famoso é o herói americano Capitão América, que ganhou vida em um filme próprio e na franquia cinematográfica Os Vingadores. Seguindo na linha de popularização dessa forma de literatura surge Maus, de ArtSpiegelman, com mais um ponto de vista sobre o genocídio mais famoso do mundo.

No livro, Art Spiegelman representa todos os personagens que conheceu na pele de animais. Ele próprio participa da história, como o entrevistador de um sobrevivente dos campos de guerra: seu próprio pai, um judeu polonês que conta toda sua saga, desde antes da guerra, quando ainda era livre, seu casamento, os sofrimentos e o alívio do fim da guerra. O que torna a história humana e não mais um simples relato de guerra é inclusão de elementos como os relacionamentos criados e desfeitos pelos nazistas.

O próprio autor, como personagem, deixa claro a dificuldade de se relacionar com o pai desde criança, graças ao que ele sofreu na guerra e do que não foi capaz de se livrar mesmo com sua liberdade. Existe um grande esforço aí de mostrar como a dor causada pela Segunda Guerra Mundial permanece até os dias de hoje, seja na pele de quem sobreviveu, seja para aqueles que só ouvem falar dela.


O formato quadrinhos torna a leitura muito mais ágil. É interessante a forma como o autor retrata os personagens. Lembra A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Além disso, de uns anos para cá os quadrinhos se tornaram um formato extremamente bem aceito por várias gerações de leitores, o que ajuda a levar a história mais longe, mesmo esta não sendo uma história em quadrinhos para crianças.

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O problema são os outros

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Encontrar defeitos e colocar a culpa nos outros é tão fácil que chega até a ser gostoso: quem nunca fez? Tem gente que vai ler isso e jurar de pés juntos que detesta falar mal dos outros, que nunca fez e que acha super errado. Para esse excelentíssimos leitores, fica o convite para continuar lendo se quiser.

O fato é que ninguém (com exceção de uma única pessoa que eu conheço) no mundo resiste a um comentário ácido, seja a outras pessoas, seja atitudes em massa, seja a decisões governamentais. O prazer em falar mal é tão grande que parece que se o defeito está em si próprio ele se torna até mais gostoso de se expor e discutir. Mais do que falar mal do outro, as pessoas amam mesmo é expor seus próprios problemas e defeitos, provando o quão piores estão em relação ao resto do mundo. Ninguém quer “perder” nem nesse quesito.

Todo mundo se acha no direito de julgar e criticar. Justo. Afinal, quem pensa tem direito de refletir e criar uma opinião sobre o assunto, seja ela qual for. Mas se ao criar uma opinião, você corre o risco de não ser compreendido da maneira como gostaria (talvez você até diga que foram os outros entenderam errado). Daí a importância de se conhecermais de um aspecto sobre o assunto antes de concluir o processo de reflexão e criação de opinião.

Toda vez que o Brasil ganha destaque nos jornais internacionais por algum escândalo popular alguns estrangeiros com quem mantenho contato me enviam recortes de jornais de seus respectivos países e comentam sobre o que leem, compartilhando sua opinião. O “bafão” da vez são as manifestações populares de todo o ano cobrando justiça e fim da corrupção no país. Todos os comentários podem se resumir a uma única opinião: “é, a situação é chata, ridícula e desrespeitosa para o povo – mas nós também sofremos com isso aqui”. E antes que se pense que meus colegas com essa opinião vivem em países árabes em constante guerra ou em países africanos em situação de extrema pobreza, deixo bem claro que quase todos os meus pen pals (pessoas com quem você se corresponde por carta) são europeus (as únicas exceções são uma japonesa e uma americana). Esse comentário sobre as notícias recentes da política brasileira, por exemplo, me foi dito por uma suíça e uma alemã.

Aí aqueles que só sabem falar mal do Brasil, mas debocham de atitudes importantes como votar e contestar decisões governamentais, vão gaguejar, mas vão encontrar alguma desculpa para falar que eu não sei do que estou falando. Porque na opinião deles o Brasil é um país tão intragável que vale a pena mudar-se daqui a qualquer custo – inclusive ao alto preço de viver em um país estrangeiro, sofrendo fortíssimo preconceito social e assumindo os altos riscos da vida de um imigrante ilegal (para não mencionar a humilhação de viver como um eterno foragido, caçado como um criminoso sem escrúpulos).

O comentário das minhas colegas europeias tem vários significados. É, sim, um tapa na cara de quem acha que os outros países são o paraíso na Terra, em contraste ao inferno tupiniquim. É também uma espécie de consolo, pois quando descobrimos que outros sofrem como nós, percebemos que não somos nós os loucos e aprendemos a respeitar o sofrimento do outro – e o nosso também. Quando achamos que só nós sofremos, tendemos a nos desesperar. Mas ao aprendermos a respeitar o nosso sofrimento, conseguimos parar, respirar e enxergar as possíveis soluções.

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Cantadas valorizadas

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sabe aquelas tentativas frustradas de cantadas que você (mulher, claro) ouve de desconhecidos na rua, popularmente conhecidas pela alcunha de “cantadas de pedreiro”? Você (ainda falando das amigas) com certeza já recebeu uma. Ou pelo menos já viu algum amigo ou outro marmanjo colocando-as em prática. Algumas engraçadinhas, outras desconcertantes. Talvez uma ou outra até bem-sucedida. O fato é que todos conhecem as cantadas de pedreiro. Afinal, a criatividade desses nobres trabalhadores da construção não tem fim – nem limites.

E para eternizá-las e elevá-las a um nível digno do prestígio que merecem, elas foram registradas em um livro. Pedreiro é uma série de quadrinhos criada pelo quadrinista campineiro Digo Freitas que retrata o dia a dia desse nobre mestre de obras e suas aventuras na arte de seduzir uma mulher. São mais de quarenta páginas de tirinhas coloridas, e você ainda pode escolher uma (ou criar a sua própria personalizada) para dedicar a alguém num espaço reservado para isso na primeira página.

O Pedreiro é o carro-chefe de Digo Freitas, mas o autor também tem outras séries muito interessantes, que podem ser acompanhadas em seu site, Esboçais.com.br. Ele próprio vira a estrelas em alguns quadrinhos.

Interessou? Então anote aí: o livro Pedreiro pode ser adquirido na loja do Esboçais, em versão impressa e digital (para os leitores mais moderninhos). E se quiser conhecer os outros personagens do autor, não deixe de visitar o site.


*Publicado inicialmente em FactusLiterario.blogspot.com.

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Na contra mão

domingo, 15 de setembro de 2013

A ética e as boas maneiras ditam que devemos fazer o bem e ser corteses, pois um dia poderemos precisar do próximo. Mas na prática, pouca gente entende alguma coisa sobre ética ou se quer se lembra do que significa boas maneiras. Aparentemente ambas as palavras têm perdido cada vez mais seu significado e valor. Pior para quem acredita nelas, que fica fadado a se sentir um eterno estranho no ninho.

Ingenuamente acredita-se que religião tenha algo a ver com caráter e boas maneiras. Na verdade, essa é uma daquelas coisas que deveria ser mais não é. Afinal, tem muito ateu fazendo lá suas boas ações, e uma legião de religiosos convictos que se aglomeram todos os dias em apertadas celas que já não chegam mais para a quantidade de presidiários que comporta. A confusão é tanta que muitos religiosos se desvirtuam e viram fanáticos – que não é mais religioso coisa nenhuma, senão apenas mais um obsessivo.

Às a gente se vê em situações em que fazemos coisas que deixam os outros felizes, mas sem estarmos verdadeiramente “no clima” para isso. Em prol da política da boa vizinhança, nos sacrificamos aos poucos dia a dia, atropelando como um rolo compressor nossas vontades e coisas imateriais – muito mais importante –, como nossos sentimentos e nossa dignidade.

A encruzilhada se apresenta mais claramente à nossa frente de forma proporcional à proximidade do demandante de nós: quanto mais próximo, mais complicado é dizer “não” e mais desgostoso é o sacrifício. Também é certo que se houver aí uma ferida causada pelo ser exigente, o sacrifício chega até a ser mal cheiroso e nauseabundo em medidas igualmente proporcionais.


Aliás, quem escreveu essa tal política se esqueceu de dizer que ela só funciona quando aplicada em duas vias; talvez essa condição tenha ficado para o anexo e o pessoal teve preguiça de ler.

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O Diário da Queda, de Michel Laub

quarta-feira, 5 de junho de 2013


(Postado inicialmente em Factus Literário)

Em uma festa de aniversário, os garotos decidem pregar uma peça no aniversariante que acaba resultando em consequências graves. Para a maioria deles, foi bem-feito o que aconteceu. Mas para um deles, a brincadeira de mau-gosto virou um fantasma, que o perseguia e o lembrava de sua culpa o tempo todo.

Em Diário da Queda, o personagem principal é um judeu, neto de um sobrevivente de Auschwitz. Ele nunca teve um bom relacionamento com o pai e não chegou a conhecer o avô pessoalmente. O que sabia de seu avô era o que o pai vivia repetindo e o que ele havia documentado em vários volumes de um curioso diário.


O livro é uma compilação de reflexões que esse garoto faz sobre sua própria vida sob a ótica da herança que o nazismo e as recordações de Auschwitz do avô deixaram para a família. Seu relacionamento com o pai, sua própria condição como judeu, tudo parece estar relacionado com os sofrimentos vividos pelo avô em Auschwitz.

Assim como A Menina que Roubava Livros, Diário da Queda é um ponto de vista diferente sobre o assunto. Tratasse de uma nova visão sobre o nazismo, a vida de judeus daquela época e a vida de seus descendentes posteriormente, e é exatamente essa inovação que torna o livro atraente.


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Investimento é para todos, sim

sexta-feira, 24 de maio de 2013


É comum vermos nos jornais notícias sobre índices da bolsa de valores. A maioria dos brasileiros, entretanto, talvez ignore essa parte do noticiário por achar que não tem nada a ver com ele. Na verdade as pessoas foram acostumadas a pensar que investimentos é coisa só para quem tem dinheiro, e que os reles mortais têm que se contentar em trabalhar duro e gastar cada centavo suado que ganha, pois é uma das poucas alegrias a que tem direito. Mal sabem essa maioria das pessoas o quanto estão enganadas.

De forma contrária ao que pensa a maior parte da população brasileira, esforços de economia são para todos. É possível economizar com qualquer valor, e existem milhares de estratégias para se reunir um bom dinheirinho. As crianças aprendem muito bem isso, quando ganham seu primeiro cofrinho, onde guardam com alegria as primeiras moedinhas que ganham ou acham por aí. Mas parece que quando crescem elas perdem o gosto por guardar dinheiro.

Claro que o cofrinho de longe é o pior investimento que se pode fazer. Ele deve ser lembrado, no máximo, como um apoio para guardar um dinheirinho que sobra, mas investimento mesmo é quando se coloca dinheiro num lugar onde ele dará a seu dono algum retorno. Na escala das estratégias de investimento financeiro, depois do cofrinho vem a poupança. Ela também rende muito pouco, e com as novas mudanças da economia, tem rendido cada vez menos, é verdade; mas antes render pouco do que não render nada. Então, para aquelas pessoas que não têm muitos recursos mesmo, ou não aprenderam ainda uma forma de controlar o consumismo, a poupança é uma boa solução. E não precisa de muito por mês. Existem bancos que permitem a abertura de uma conta poupança com R$10,00. E se colocar um dinheirinho na poupança virar hábito, logo logo é possível ver essa quantia aumentar cada vez mais.

Mas a poupança é apenas uma das centenas de opções que se tem para investir. A BMF&Bovespa, regulamentadora de vários tipos de investimento (sendo o mais famoso as ações), oferece diversos cursos sobre os mais variados tipos de investimentos disponíveis hoje e sugestões de por onde começar. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), outra instituição voltada para o investidor – tenha ele o tamanho que tiver –, também possui um portal dedicado ao assunto, onde é possível realizar vários cursos relacionados.
s ações), têm concentrado seus esforços em educar a população quanto uma nova mentalidade quanto a finanças e investimentos. No website da instituição, é possível acessar uma página inteira sobre o assunto, com diversos

E uma vez que se comece a pensar sobre isso, a empolgação com o assunto é natural. Quanto mais se aprende como não é tão difícil assim juntar dinheiro, mais se quer saber. E essa é, de fato, a alma do negócio: informação. Quanto mais informações se tem, mais fácil a coisa fica. Existe uma variedade de pessoas interessadas sobre o assunto que, depois de começarem a se inteirar sobre isso, começaram a difundir o que aprenderam, seja em publicações, seja em sites e blogs mundo afora. Os destaques são o site Como Investir e o blog O Pequeno Investidor. Mas como dito antes, esses são só dois exemplos; usando uma ferramenta de busca é possível encontrar muito mais.
As corretoras de valores, que também têm lá seu interesse em que mais e mais pessoas entrem para o mundo dos investimentos, também participam bastante dessa onda de informações. Quase todas oferecem cursos gratuitos sobre os tipos de investimento existentes, especialmente aqueles com os quais elas próprias trabalham.

Com tantos caminhos assim, o que não dá mais é colocar a culpa no sistema e dizer que investir é coisa de rico. É bom lembrar que boa parte dos investidores bem-sucedidos foram muito pobres antes de conhecerem o mundo dos investimentos também.

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Dois Irmãos, de Milton Hatoum

quarta-feira, 22 de maio de 2013


(Publicado primeiramente no blog Factus Literário)

Em Manaus, entre as décadas de 1940 e 1960, vivem os irmãos Omar e Yaqub e sua atribulada família de origem libanesa. A história é contada em primeira pessoa por um personagem que é apresentado apenas depois de alguns capítulos e que vem embutido com algumas intrigas e suspenses.

Zana e Halin, ambos de origem libanesa, se casam num clima de amor intenso e juvenil. Halin sempre fora apaixonado pela esposa, e a última coisa que queria era filhos; Zana, por outro lado, alimentava o sonho de ter sua própria família. Halin, para agradar a esposa, acaba cedendo e o casal tem três filhos: os gêmeos Omar e Yaqub, e a caçula, Rânia. Na casa ainda vive a ama Domingas, de origem indígena.

A história versa sobre a convivência entre as pessoas deste núcleo familiar e os que os cercam, episódios de suas vidas que influenciam o fluxo da própria família.

Milton Hatoum, escritor manauara, tradutor e colunista do jornal O Estado de S. Paulo, é um artista inovador, que traz ao leitor um cenário de uma Manaus diferente das tribos indígenas e macacos mascotes que a maioria dos artistas apresenta. A cidade é civilizada, tem tecnologia e modernidades da época chegando, e cresce como qualquer outra grande cidade. Há uma grande quantidade de imigrantes vivendo em Manaus, muitos a procura de refúgio, muitos a procura de vida nova.

Domingas é uma índia, que foi tirada de sua tribo ainda criança, educada por freiras em um convento e vendida, de forma velada, à família de Zana. Nunca foi tratada como uma filha adotiva, mas como uma serva da casa. Esse é um cenário da época colonial do Brasil, presente ainda no século XX, mas desconhecido do restante do país. Seria impensável acreditar que ainda hoje existem relações desse tipo num Brasil tão (aparentemente) moderno. Cenários como estes soam como uma crítica do autor sobre como Manaus ainda guarda traços de hábitos passados, que precisariam ser suplantados para que a cidade conseguisse verdadeiro destaque entre as maiores cidades do país. 

Omar e Yaqub são dois irmãos que definitivamente não se entendem. Desde crianças se detestam e o comportamento dos pais, especialmente da mãe, alimenta ainda mais esse desentendimento. Uma atitude bastante clara no livro e velada pela sociedade é a da preferência dos pais, bem demonstrada pelo papel de Zana. Desde sempre seu filho favorito é Omar, o mais novo dos gêmeos. A ele nada é negado, e qualquer problema que surja, Zana aparece como uma leoa para proteger sua cria. Por outro lado, Omar acaba sendo o preterido, apesar de ser o mais esforçado, aquele que conquista tudo o que tem. Rânia, no raking de preferência da mãe, fica com o último lugar. Para o pai, é o contrário: o que ele menos gosta é Omar, seja por ciúmes, seja por intolerância à sua personalidade, ao que ele se tornou graças à superproteção de Zana e às suas atitudes.

A separação definitiva acontece na adolescência. Após um conflito entre os dois, a família resolve mandar Yaqub viver com parentes no Líbano. Quando volta, os irmãos se ignoram, não raro entram em conflitos verbais e físicos, Omar sempre levando a vantagem nas brigas.

Enquanto Omar se dedica a vadiagem, Yaqub se dedica aos estudos, se tornando cada vez mais o preferido do pai. Logo aparece uma oportunidade e ele parte para São Paulo, sob fortes protestos da mãe, que prefere ter todos os filhos sob suas asas protetoras. Indo para São Paulo, o rapaz só evolui em sua carreira e colhe frutos, o que causa grande inveja em seu irmão. Omar continua aprontando coisas cada vez piores, talvez como uma tentativa de desviar a atenção dos pais de seu gêmeo, bem como uma criança mimada.

O fluxo de evolução e desenvolvimento é representado por Yaqub: aquele que vai para São Paulo, o motor do país, é aquele que passa a ter modos e atitudes civilizadas; aquele que fica em Manaus continua em atraso, agindo como selvagem, um ser que tem que lutar por sua sobrevivência da maneira que sabe: pela lei do mais forte.

Dois Irmãos é um livro riquíssimo em alegorias e simbologias, críticas e ironias, características que acolhem o leitor e fazem pensar.


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O valor do livro

quinta-feira, 4 de abril de 2013


Pela TV está sendo veiculado um novo comercial da Internet da Vivo em que, logo na primeira cena, os pais colocam uma pilha de livros em uma cadeira para que o menino loirinho sente-se e, assim, alcance o computador com mais facilidade. Existe aí uma mensagem implícita que os publicitários que criaram o comercial não se perceberam – ou não acharam tão importante: a desvalorização do livro.

O livro tem sido o símbolo de conhecimento e a fonte de informações para os mais variados tipos de consulta por anos. Com a evolução dos meios de comunicação, veio a Internet, como um meio moderno e prático de se obter informações. Além da praticidade, o alcance da Internet é algo que muitas vezes não tem nem como comparar ao de um livro. Mas dizer que, com o advento da tecnologia, o livro perdeu completamente sua utilidade – e, principalmente, sua importância – é um enorme disparate.

A Vivo (ou seus publicitários) foi muito infeliz em sua campanha de divulgação, inferiorizando os livros com relação à sua Internet. Dizer que seu produto é muito bom é uma coisa, mas se julgar insuperável perante outros recursos existentes é um tanto prepotente. É o equivalente a dizer que a penicilina não tem mais valor algum diante dos milhares de antibióticos modernos descobertos pela indústria farmacêutica. Em um país como o Brasil, chega a parecer piada querer dizer que só a Internet faz sentido para pesquisa, quando boa parte da população não tem acesso nem a computador direito, e quando tem, não possui pleno domínio da ferramenta. Internet, então, muito menos. Quando a renda da família só dá para o sustento, como é que eles querem que os filhos de uma família dessas deixem de lado os livros e recorram à Internet? É um panorama infelizmente ainda muito surreal para o nosso país.

Não estou aqui defendendo o fim da modernidade e a preservação do antigo. Reconheço e sou muito afeita aos avanços da ciência, porém sou realista: o livro é importante, é fundamental e, por hora, insubstituível. Comparável sim, mas ainda insubstituível.

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Incentivo ao investimento em fundos imobiliários

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


Para quem acha que ações é a única forma de investimento – e que apenas pessoas endinheiradas podem participar da brincadeira –, esta é a mentira mais barbada de todas. A simples caderneta de poupança, apesar do baixo rendimento, é uma forma de investimento. Quem tem uma porcentagem dos rendimentos do trabalho suado retidos para FGTS também está investindo sem saber. Mas esses são só alguns exemplos dos milhares tipos de investimentos que existem disponíveis para todos os gostos e bolsos.

A CVM (Comissão de Valores Imobiliários), órgão que, de maneira geral, regulamenta e supervisiona os investimentos e seus responsáveis no país, lançou uma cartilha para dar mais informações sobre os Fundos de Investimentos Imobiliários, ainda pouco conhecidos e explorados. O objetivo é trazer mais investidores para essa modalidade.

Mas o que são fundos imobiliários? São mais ou menos como “títulos de ações” de um imóvel que estão disponíveis para pessoas comuns e empresas comprarem e, assim, terem um pouco de direitos de propriedade sobre um determinado imóvel. Esses “títulos” são colocados no mercado por vários motivos, mas o principal é angariar fundos para construir e manter o imóvel. A partir daí, todo o lucro que esse imóvel gerar é dividido entre as pessoas que possuem um título dele.

Como um exemplo prático, pensemos em um shopping center que uma empresa esteja interessada em construir em uma cidade. Para arrecadar dinheiro para os gastos com a construção, a empresa lança o projeto, seguindo diversas normas estipuladas e supervisionadas pela CVM. Todos que acharem que o shopping center pode ser um negócio lucrativo podem comprar “pedacinhos dele”, ou seja, títulos. Quando o shopping estiver pronto, comerciantes alugarão lotes dentro do prédio para estabelecerem suas lojas. Cada lojista pagará aluguel para ter o direito de manter sua loja aberta no lugar. Esse aluguel vai para os donos do shopping, que são as pessoas que têm títulos dele.

Na prática, é como se você possuísse uma casa e a colocasse para alugar. Mas a grande diferença entre ter uma casa só sua para alugar e participar de um fundo imobiliário é que, se um dia você quiser vender o seu imóvel, seja por qual fim for, vender um título de um imóvel incomum com frequência é muito mais fácil do que vender um imóvel particular.

Essas informações que coloquei aqui são uma apresentação a grosso modo do que são fundos imobiliários. Se você quiser saber mais sobre o assunto, com mais detalhes e informações mais precisas, baixe gratuitamente a cartilha da CVM e conheça melhor esta modalidade de investimento.

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Coursera

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


A Internet veio como uma mão na roda para quem é curioso e tem uma sede insaciável por aprender. Existem em toda rede uma infinidade de cursos online, pagos e gratuitos, nas mais diferentes áreas possíveis.

O site Coursera (em inglês) oferece diversas opções de cursos livres ministrados por professores das mais importantes universidades americanas, todos eles de graça. Alguns deles possuem alguns pré-requisitos, meramente para que o aluno consiga acompanhar o andamento das aulas, mas para todos eles o pré-requisito básico é dominar em certo grau o inglês, idioma predominante de todos os cursos.

Alguns dos cursos do Coursera começarão no mês de fevereiro e terão duração de 5 a 14 semanas. Com um tempo de dedicação que varia de 6 a 10 horas semanais é possível ter um certificado conferido pelo site.

Para os interessados, é possível obter mais informações no site: www.coursera.org.


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Frases para Guardar

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


Publicado originalmente no blog Factus Literário)

Todos estamos sujeitos a captar frases das mais diversas fontes: desde livros de grandes pensadores, a seriados de televisão; desde filmes vencedores de grandes prêmios aos nossos sábios avós. Essas frases, de forma consciente ou não, se juntam ao conhecimento popular e ajudam a construir caráter ou simplesmente fazem pensar.

Fã de frases, Marcel Souto Maior, jornalista, roteirista e diretor de TV, adquiriu o hábito de anotar cada frase que passou por sua vida para presenteá-las aos filhos. Mas, num certo ponto, achou egoísmo distribuí-las apenas para seus entes queridos, quando muitos outros poderia se beneficiar elas. E assim nasceu Frases para Guardar.

Este livro reúne uma gama variadíssima de frases das fontes mais inusitadas possíveis: nas palavras do próprio autor, “de Voltaire a Homer Simpson, de Gandhi a Steve Jobs, de Isaac Newton a Lady Gaga”. A mente de Souto Maior esteve escancarada para captar qualquer invasão de frases que chegavam a ele. São frases para pensar ou para divertir, palavras que complementam de alguma forma a alma. Para usar uma frase coletada por ele mesmo: “Não se faz uma frase. A frase nasce.” (Clarice Lispector).

Mais informações sobre o livro:



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Sobre Pensamentos Avulsos...

Pensamentos Avulsos são divagações e outras bobagens que saem da cabeça insana dessa que vos escreve. Espaço livre para meu bel prazer de escrever e expor de alguma forma minhas idéias. Como blogueira, eu gosto de comentários; como escritora, eu preciso de críticas. Ambos me servem como uma espécie de termômetro de qualidade para a minha produção. Portanto, por gentileza, colabore. :-)

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