Investimento é para todos, sim

sexta-feira, 24 de maio de 2013


É comum vermos nos jornais notícias sobre índices da bolsa de valores. A maioria dos brasileiros, entretanto, talvez ignore essa parte do noticiário por achar que não tem nada a ver com ele. Na verdade as pessoas foram acostumadas a pensar que investimentos é coisa só para quem tem dinheiro, e que os reles mortais têm que se contentar em trabalhar duro e gastar cada centavo suado que ganha, pois é uma das poucas alegrias a que tem direito. Mal sabem essa maioria das pessoas o quanto estão enganadas.

De forma contrária ao que pensa a maior parte da população brasileira, esforços de economia são para todos. É possível economizar com qualquer valor, e existem milhares de estratégias para se reunir um bom dinheirinho. As crianças aprendem muito bem isso, quando ganham seu primeiro cofrinho, onde guardam com alegria as primeiras moedinhas que ganham ou acham por aí. Mas parece que quando crescem elas perdem o gosto por guardar dinheiro.

Claro que o cofrinho de longe é o pior investimento que se pode fazer. Ele deve ser lembrado, no máximo, como um apoio para guardar um dinheirinho que sobra, mas investimento mesmo é quando se coloca dinheiro num lugar onde ele dará a seu dono algum retorno. Na escala das estratégias de investimento financeiro, depois do cofrinho vem a poupança. Ela também rende muito pouco, e com as novas mudanças da economia, tem rendido cada vez menos, é verdade; mas antes render pouco do que não render nada. Então, para aquelas pessoas que não têm muitos recursos mesmo, ou não aprenderam ainda uma forma de controlar o consumismo, a poupança é uma boa solução. E não precisa de muito por mês. Existem bancos que permitem a abertura de uma conta poupança com R$10,00. E se colocar um dinheirinho na poupança virar hábito, logo logo é possível ver essa quantia aumentar cada vez mais.

Mas a poupança é apenas uma das centenas de opções que se tem para investir. A BMF&Bovespa, regulamentadora de vários tipos de investimento (sendo o mais famoso as ações), oferece diversos cursos sobre os mais variados tipos de investimentos disponíveis hoje e sugestões de por onde começar. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), outra instituição voltada para o investidor – tenha ele o tamanho que tiver –, também possui um portal dedicado ao assunto, onde é possível realizar vários cursos relacionados.
s ações), têm concentrado seus esforços em educar a população quanto uma nova mentalidade quanto a finanças e investimentos. No website da instituição, é possível acessar uma página inteira sobre o assunto, com diversos

E uma vez que se comece a pensar sobre isso, a empolgação com o assunto é natural. Quanto mais se aprende como não é tão difícil assim juntar dinheiro, mais se quer saber. E essa é, de fato, a alma do negócio: informação. Quanto mais informações se tem, mais fácil a coisa fica. Existe uma variedade de pessoas interessadas sobre o assunto que, depois de começarem a se inteirar sobre isso, começaram a difundir o que aprenderam, seja em publicações, seja em sites e blogs mundo afora. Os destaques são o site Como Investir e o blog O Pequeno Investidor. Mas como dito antes, esses são só dois exemplos; usando uma ferramenta de busca é possível encontrar muito mais.
As corretoras de valores, que também têm lá seu interesse em que mais e mais pessoas entrem para o mundo dos investimentos, também participam bastante dessa onda de informações. Quase todas oferecem cursos gratuitos sobre os tipos de investimento existentes, especialmente aqueles com os quais elas próprias trabalham.

Com tantos caminhos assim, o que não dá mais é colocar a culpa no sistema e dizer que investir é coisa de rico. É bom lembrar que boa parte dos investidores bem-sucedidos foram muito pobres antes de conhecerem o mundo dos investimentos também.

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Dois Irmãos, de Milton Hatoum

quarta-feira, 22 de maio de 2013


(Publicado primeiramente no blog Factus Literário)

Em Manaus, entre as décadas de 1940 e 1960, vivem os irmãos Omar e Yaqub e sua atribulada família de origem libanesa. A história é contada em primeira pessoa por um personagem que é apresentado apenas depois de alguns capítulos e que vem embutido com algumas intrigas e suspenses.

Zana e Halin, ambos de origem libanesa, se casam num clima de amor intenso e juvenil. Halin sempre fora apaixonado pela esposa, e a última coisa que queria era filhos; Zana, por outro lado, alimentava o sonho de ter sua própria família. Halin, para agradar a esposa, acaba cedendo e o casal tem três filhos: os gêmeos Omar e Yaqub, e a caçula, Rânia. Na casa ainda vive a ama Domingas, de origem indígena.

A história versa sobre a convivência entre as pessoas deste núcleo familiar e os que os cercam, episódios de suas vidas que influenciam o fluxo da própria família.

Milton Hatoum, escritor manauara, tradutor e colunista do jornal O Estado de S. Paulo, é um artista inovador, que traz ao leitor um cenário de uma Manaus diferente das tribos indígenas e macacos mascotes que a maioria dos artistas apresenta. A cidade é civilizada, tem tecnologia e modernidades da época chegando, e cresce como qualquer outra grande cidade. Há uma grande quantidade de imigrantes vivendo em Manaus, muitos a procura de refúgio, muitos a procura de vida nova.

Domingas é uma índia, que foi tirada de sua tribo ainda criança, educada por freiras em um convento e vendida, de forma velada, à família de Zana. Nunca foi tratada como uma filha adotiva, mas como uma serva da casa. Esse é um cenário da época colonial do Brasil, presente ainda no século XX, mas desconhecido do restante do país. Seria impensável acreditar que ainda hoje existem relações desse tipo num Brasil tão (aparentemente) moderno. Cenários como estes soam como uma crítica do autor sobre como Manaus ainda guarda traços de hábitos passados, que precisariam ser suplantados para que a cidade conseguisse verdadeiro destaque entre as maiores cidades do país. 

Omar e Yaqub são dois irmãos que definitivamente não se entendem. Desde crianças se detestam e o comportamento dos pais, especialmente da mãe, alimenta ainda mais esse desentendimento. Uma atitude bastante clara no livro e velada pela sociedade é a da preferência dos pais, bem demonstrada pelo papel de Zana. Desde sempre seu filho favorito é Omar, o mais novo dos gêmeos. A ele nada é negado, e qualquer problema que surja, Zana aparece como uma leoa para proteger sua cria. Por outro lado, Omar acaba sendo o preterido, apesar de ser o mais esforçado, aquele que conquista tudo o que tem. Rânia, no raking de preferência da mãe, fica com o último lugar. Para o pai, é o contrário: o que ele menos gosta é Omar, seja por ciúmes, seja por intolerância à sua personalidade, ao que ele se tornou graças à superproteção de Zana e às suas atitudes.

A separação definitiva acontece na adolescência. Após um conflito entre os dois, a família resolve mandar Yaqub viver com parentes no Líbano. Quando volta, os irmãos se ignoram, não raro entram em conflitos verbais e físicos, Omar sempre levando a vantagem nas brigas.

Enquanto Omar se dedica a vadiagem, Yaqub se dedica aos estudos, se tornando cada vez mais o preferido do pai. Logo aparece uma oportunidade e ele parte para São Paulo, sob fortes protestos da mãe, que prefere ter todos os filhos sob suas asas protetoras. Indo para São Paulo, o rapaz só evolui em sua carreira e colhe frutos, o que causa grande inveja em seu irmão. Omar continua aprontando coisas cada vez piores, talvez como uma tentativa de desviar a atenção dos pais de seu gêmeo, bem como uma criança mimada.

O fluxo de evolução e desenvolvimento é representado por Yaqub: aquele que vai para São Paulo, o motor do país, é aquele que passa a ter modos e atitudes civilizadas; aquele que fica em Manaus continua em atraso, agindo como selvagem, um ser que tem que lutar por sua sobrevivência da maneira que sabe: pela lei do mais forte.

Dois Irmãos é um livro riquíssimo em alegorias e simbologias, críticas e ironias, características que acolhem o leitor e fazem pensar.


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O valor do livro

quinta-feira, 4 de abril de 2013


Pela TV está sendo veiculado um novo comercial da Internet da Vivo em que, logo na primeira cena, os pais colocam uma pilha de livros em uma cadeira para que o menino loirinho sente-se e, assim, alcance o computador com mais facilidade. Existe aí uma mensagem implícita que os publicitários que criaram o comercial não se perceberam – ou não acharam tão importante: a desvalorização do livro.

O livro tem sido o símbolo de conhecimento e a fonte de informações para os mais variados tipos de consulta por anos. Com a evolução dos meios de comunicação, veio a Internet, como um meio moderno e prático de se obter informações. Além da praticidade, o alcance da Internet é algo que muitas vezes não tem nem como comparar ao de um livro. Mas dizer que, com o advento da tecnologia, o livro perdeu completamente sua utilidade – e, principalmente, sua importância – é um enorme disparate.

A Vivo (ou seus publicitários) foi muito infeliz em sua campanha de divulgação, inferiorizando os livros com relação à sua Internet. Dizer que seu produto é muito bom é uma coisa, mas se julgar insuperável perante outros recursos existentes é um tanto prepotente. É o equivalente a dizer que a penicilina não tem mais valor algum diante dos milhares de antibióticos modernos descobertos pela indústria farmacêutica. Em um país como o Brasil, chega a parecer piada querer dizer que só a Internet faz sentido para pesquisa, quando boa parte da população não tem acesso nem a computador direito, e quando tem, não possui pleno domínio da ferramenta. Internet, então, muito menos. Quando a renda da família só dá para o sustento, como é que eles querem que os filhos de uma família dessas deixem de lado os livros e recorram à Internet? É um panorama infelizmente ainda muito surreal para o nosso país.

Não estou aqui defendendo o fim da modernidade e a preservação do antigo. Reconheço e sou muito afeita aos avanços da ciência, porém sou realista: o livro é importante, é fundamental e, por hora, insubstituível. Comparável sim, mas ainda insubstituível.

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Incentivo ao investimento em fundos imobiliários

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


Para quem acha que ações é a única forma de investimento – e que apenas pessoas endinheiradas podem participar da brincadeira –, esta é a mentira mais barbada de todas. A simples caderneta de poupança, apesar do baixo rendimento, é uma forma de investimento. Quem tem uma porcentagem dos rendimentos do trabalho suado retidos para FGTS também está investindo sem saber. Mas esses são só alguns exemplos dos milhares tipos de investimentos que existem disponíveis para todos os gostos e bolsos.

A CVM (Comissão de Valores Imobiliários), órgão que, de maneira geral, regulamenta e supervisiona os investimentos e seus responsáveis no país, lançou uma cartilha para dar mais informações sobre os Fundos de Investimentos Imobiliários, ainda pouco conhecidos e explorados. O objetivo é trazer mais investidores para essa modalidade.

Mas o que são fundos imobiliários? São mais ou menos como “títulos de ações” de um imóvel que estão disponíveis para pessoas comuns e empresas comprarem e, assim, terem um pouco de direitos de propriedade sobre um determinado imóvel. Esses “títulos” são colocados no mercado por vários motivos, mas o principal é angariar fundos para construir e manter o imóvel. A partir daí, todo o lucro que esse imóvel gerar é dividido entre as pessoas que possuem um título dele.

Como um exemplo prático, pensemos em um shopping center que uma empresa esteja interessada em construir em uma cidade. Para arrecadar dinheiro para os gastos com a construção, a empresa lança o projeto, seguindo diversas normas estipuladas e supervisionadas pela CVM. Todos que acharem que o shopping center pode ser um negócio lucrativo podem comprar “pedacinhos dele”, ou seja, títulos. Quando o shopping estiver pronto, comerciantes alugarão lotes dentro do prédio para estabelecerem suas lojas. Cada lojista pagará aluguel para ter o direito de manter sua loja aberta no lugar. Esse aluguel vai para os donos do shopping, que são as pessoas que têm títulos dele.

Na prática, é como se você possuísse uma casa e a colocasse para alugar. Mas a grande diferença entre ter uma casa só sua para alugar e participar de um fundo imobiliário é que, se um dia você quiser vender o seu imóvel, seja por qual fim for, vender um título de um imóvel incomum com frequência é muito mais fácil do que vender um imóvel particular.

Essas informações que coloquei aqui são uma apresentação a grosso modo do que são fundos imobiliários. Se você quiser saber mais sobre o assunto, com mais detalhes e informações mais precisas, baixe gratuitamente a cartilha da CVM e conheça melhor esta modalidade de investimento.

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Coursera

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


A Internet veio como uma mão na roda para quem é curioso e tem uma sede insaciável por aprender. Existem em toda rede uma infinidade de cursos online, pagos e gratuitos, nas mais diferentes áreas possíveis.

O site Coursera (em inglês) oferece diversas opções de cursos livres ministrados por professores das mais importantes universidades americanas, todos eles de graça. Alguns deles possuem alguns pré-requisitos, meramente para que o aluno consiga acompanhar o andamento das aulas, mas para todos eles o pré-requisito básico é dominar em certo grau o inglês, idioma predominante de todos os cursos.

Alguns dos cursos do Coursera começarão no mês de fevereiro e terão duração de 5 a 14 semanas. Com um tempo de dedicação que varia de 6 a 10 horas semanais é possível ter um certificado conferido pelo site.

Para os interessados, é possível obter mais informações no site: www.coursera.org.


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Frases para Guardar

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


Publicado originalmente no blog Factus Literário)

Todos estamos sujeitos a captar frases das mais diversas fontes: desde livros de grandes pensadores, a seriados de televisão; desde filmes vencedores de grandes prêmios aos nossos sábios avós. Essas frases, de forma consciente ou não, se juntam ao conhecimento popular e ajudam a construir caráter ou simplesmente fazem pensar.

Fã de frases, Marcel Souto Maior, jornalista, roteirista e diretor de TV, adquiriu o hábito de anotar cada frase que passou por sua vida para presenteá-las aos filhos. Mas, num certo ponto, achou egoísmo distribuí-las apenas para seus entes queridos, quando muitos outros poderia se beneficiar elas. E assim nasceu Frases para Guardar.

Este livro reúne uma gama variadíssima de frases das fontes mais inusitadas possíveis: nas palavras do próprio autor, “de Voltaire a Homer Simpson, de Gandhi a Steve Jobs, de Isaac Newton a Lady Gaga”. A mente de Souto Maior esteve escancarada para captar qualquer invasão de frases que chegavam a ele. São frases para pensar ou para divertir, palavras que complementam de alguma forma a alma. Para usar uma frase coletada por ele mesmo: “Não se faz uma frase. A frase nasce.” (Clarice Lispector).

Mais informações sobre o livro:



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Médias

terça-feira, 22 de janeiro de 2013


A altura média do brasileiro é de 1,60 m. Um adulto deve tomar, em média, 2 L de água por dia para se hidratar. Uma pessoa deve ter, em média, 30 min de atividade física para deixar de ser um sedentário. São tantas médias, que a vida ganha mais regras a cada dia. E a cada dia, mais regras são inventadas, muitas vezes, contrariando outras que já existiam.

Uma média é um valor genérico que é obtido da seguinte forma: soma-se o valor estudado e divide-se pelo número de elementos estudados. O valor resultante é a média daquilo que se está estudando.

Esquecendo-se de que uma média nada mais é do que um valor genérico, ou seja, em geral, serve para todos, algumas pessoas se equivocam tratando uma média como uma regra. Superestimar assim uma coisa dessas é uma atitude que se faz sem reflexão, e pode até ser perigoso.

Peguemos o caso do IMC (índice de massa corpórea), que é a média mais cultuada do mundo. Ela mede o quanto de massa corpórea que uma pessoa saudável deveria ter. Abaixo da margem do IMC, a pessoa esta em situação de peso inferior ao considerado saudável; acima dela, o indivíduo encontra-se em sobrepeso ou obesidade. Mas esse índice, por motivos óbvios, não leva em contra outros fatores, como por exemplo, constituição física e genética. Se é um valor genérico, esses conceitos têm que ficar de fora mesmo do cálculo. Mas quem se baseia no IMC para saber se deve emagrecer ou engordar tem que levar em conta esses fatos.

Assim como é absurdo achar que está obeso só porque passou 0,1 ponto da margem saudável de IMC, também não é racional achar que é um anão tendo 1,60 m de altura, já que essa é a média da nossa população. E também não é lógico achar que 2 L de água é o que precisa beber uma pessoa de 1,60 m e de 2,0 m para não morrer de hidratação. Afinal de contas, as pessoas ingerem líquidos o dia inteiro sem saber, desde o cafezinho que tomam no café da manhã e nos intervalos do trabalho até o suco do lanche da tarde.

O ideal é lembrar que uma média só serve para nos orientar, como regra geral, mas não pode ser encarada como uma regra. Nada pode ser levado 100% a sério. Ser disciplinado é totalmente diferente de ser um ditador consigo mesmo. Uma relaxada de vez em quando faz até bem à saúde: mantém sã a nossa sanidade.


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Conceitos divergentes

sábado, 19 de janeiro de 2013


Eu acreditava que o conceito de educação fosse universal e algumas regrinhas básicas fossem de senso comum. Aliás, educação anda de mãos dadas com o bom senso, mas como ninguém nasce com bom senso, apenas o adquiri (ou não), diversos atritos surgem por causa do assunto.

As frases populares até tentam nos ensinar alguma coisa, mas parece que cada vez mais elas têm perdido força. Um deles diz “Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha”. O significado disso nada mais é do que a regra básica para o funcionamento de um diálogo (situação em que duas ou mais pessoas estão conversando): enquanto uma fala, a outra escuta, e assim sucessivamente. Não que todo diálogo funcione assim. Às vezes a ansiedade de colocar um comentário durante a fala do outro é incontrolável, talvez justamente pelo medo de se perder esse comentário. Até aí tudo bem, é normal. O que não é normal é achar que interromper uma pessoa deliberadamente é de fato normal. Quando uma interrupção normal dessas acontece, é difícil vermos uma atitude correta para retornar o diálogo ao seu bom caminho: se desculpar e deixar o outro terminar de falar antes de prosseguir com seu próprio comentário. E esse hábito caiu tão em desuso que quando ele acontece algumas pessoas acham que é exagero do outro tomar essa atitude ou se enraivece quando é cobrado dela, cegado pelo costume da maioria de esquecer-se de regras básicas de convivência.

Existem várias falhas de educação vistas hoje em dia por aí, não é difícil de identificar. Nas praças de alimentação, por exemplo, sempre existem funcionários para levar as bandejas esquecidas nas mesas para o lixo, mas não custa nada que seu próprio usuário as leve até lá. Afinal de contas, tem dia que é praticamente impossível encontrar uma mesa vaga em algumas praças de alimentação, não custa nada colaborar e sair da mesa deixando-a livre e em condições de uso para uma próxima pessoa que vai utilizá-la.

E quando você convida um amigo para sua casa, e ele chega com dez outros amigos? O que você faz? Fala tudo bem, mas no fundo se desespera, porque só tinha se preparado para receber uma pessoa ou fecha a cara e manda todo mundo embora? Não, você não é uma pessoa menos sociável tendo esse tipo de pensamento. Acontece que é direito seu saber quem vai à sua casa. Claro que todos são bem-vindos e você não se oporia a isso, mas não custa nada ao seu convidado te dar um toque que pode levar alguns amigos a mais. Afinal de conta, a casa é sua, você é a única pessoa consciente do espaço que tem, dos vizinhos que tem e tudo o mais. E vai que não tinha comida suficiente também, não é? (Casa é um termo de exemplo, que pode ser comutado com outros elementos, como carro, chácara, casa de praia, etc.)

O pior de tudo nem é o fato de que alguém toma uma atitude dessas (entre tantas outras que, seu eu resolvesse exemplificar aqui, isso viraria uma novela interminável) acha que está fazendo algo normal. Elas também dizem que estão de peito aberto para conversar quando tiverem feito algo que desagradou você sem perceberem. Mas, invariavelmente, a maioria dessas pessoas não vai aceitar, muito menos acatar, o que você disser e, de quebra, ainda vai te acusar de frescura e implicância. Só a menoria das pessoas vai ter empatia suficiente para tentar entender o que você está dizendo, como você se sente com relação a isso e (mais difícil ainda) se desculpar pelo ocorrido.

P.S.: Glossário (fonte: iDicionário Aulete: http://aulete.uol.com.br/index.php):

Educação
6. Comportamento em consonância com as regras sociais de etiqueta e de boa convivência; CIVILIDADE; POLIDEZ.

Diálogo
1. Conversação entre duas ou mais pessoas; COLÓQUIO; CONVERSA.
2. Troca de ideias opiniões etc.

Bom senso
1 Filos. Em questões correntes e habituais, aptidão intuitiva de discernir entre o verdadeiro e o falso, o certo e o errado, o bom e o mau etc.

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Ilustração do dia

sábado, 5 de janeiro de 2013


É engraçado como a gente consegue ver e invejar (positivamente) o sucesso e as qualidades do outro, sem conseguir controlar, erradicar ou mesmo enxergar nossos próprios defeitos, aqueles que nos impede de ter sucesso também. Esta ilustração é bem clara sobre isso. Nem sinto necessidade de me estender aqui sobre o assunto.

Está bem, uma só palavra: transpor barreiras é muito difícil, e às vezes parece impossível. A gente acha que está fazendo tudo certo, mas tem sempre algo para nos auto-sabotarmos. O que fazer? Eu não sei, ainda estou tentando descobrir.

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Por que eu gosto do Natal

sábado, 22 de dezembro de 2012


O Natal é uma época verdadeiramente especial. Não digo por causa da religiosidade, mesmo porque eu sou ateia. Mas é uma época repleta de símbolos, e os significados desses símbolos é que mechem comigo.

Uma amiga costuma dizer que, apesar de eu não ter religião, tenho muita religiosidade. E eu também reconheço que tenho muita fé, e isso não tem absolutamente nada a ver com religião. Fé é o ato de se acreditar com todas as forças em algo. E há quem diga que a fé sustente uma pessoa. Pois, sim, a minha fé nos meus sonhos me sustenta, assim como outras versões de fé sustentam outras pessoas.

Se por um lado o Natal é bom, por outro é mais uma data extremamente comercial, da que todos, desde a mídia até principalmente o marketing e o comercio arrancam seu pedaço de forma violenta e voraz. Por todos os lados você é bombardeado pela pressão de dar presentes obrigatoriamente nesta época. Mas e se você não quiser? E se não estiver num bom momento com o presenteado? É o presente que vai comprar a paz entre os lados? Presente é algo que se dá quando se quer agradar alguém; para isso não é necessário esperar uma data especial. Passa-se por uma loja, vê-se algo interessante que pode agradar ao outro e, pronto: presenteia-se. Talvez justamente esta obrigatoriedade de dar presentes em determinadas datas tornam os presentes muito mais valiosos quando vêm em datas em que não são esperados.

Aparte todos os símbolos religiosos do Natal, que são, sim, muito bonitos e dignos de se parar para olhar numa decoração de loja, praça ou casa, o símbolo mais famoso da época é o Papai Noel. As lendas contam que ele vem todos os anos na noite de Natal trazer presentes para as crianças que se comportaram bem. Nunca ouvi falar no que acontece com as crianças que não se comportaram bem durante o ano nas versões brasileiras dessa história, mas na versão americana, a criança pentelha ganha um torrão de carvão. Nesse ponto, nós, brasileiros, levamos mais a sério essa história de perdoar graças ao espírito de Natal.

Mas todos já conhecem essa história, com mais ou menos detalhes. E este é o símbolo especial do Natal, sem o qual nenhuma festa de fim de ano estaria completa, é de fato o Papai Noel. Descartemos o apelo comercial que ele traz indubitavelmente. Há símbolos que significam muito mais do que o que se vê na superfície. Este é um deles. O Papai Noel representa um velhinho fraterno, paciente, acolhedor, que recebe a todos, sem discriminação de forma alguma, para ouvir seus desejos. Mais que isso, ele escuta com um nobilíssimo respeito cada pedido feito, se emociona com isso e, principalmente, dá esperança de que esse desejo se realizará.

Pode ser que sim, pode ser que não, mas o clima de Natal, para mim, parece mais um clima de esperança do que um clima de amor, como se diz por aí. O espírito de Natal nada mais é do que um sentimento coletivo e contagiante típico desta época, que reúne pessoas com sonhos e desejos tão diferentes, com o único desejo de passarem um momento feliz juntos. É um espírito de esperança: no mínimo, a esperança de que no próximo ano será melhor.


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Como é que é?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012


Deixe-me ver se entendi bem: Marcos Maia, presidente da Câmara dos Deputados, veio à público em rede nacional esta noite para falar ao povo todo o trabalho que os deputados fizeram durante o ano, que, até onde minha humilde ignorância me permite saber, é o trabalho deles?

O presidente, ainda, decidiu enfatizar um a um os projetos mais polêmicos do ano que votaram e aprovaram. Mas eu, particularmente, achei o discurso meio vago (para não falar do marketing do negócio). Acho que alguns assuntos poderiam ser melhor abordado, afinal, ele tem todo o tempo que quiser para falar, de graça, em rede nacional, não é?

O excelentíssimo presidente poderia também ter falado quantos foram os deputados que foram lá, todos os dias de trabalho, religiosamente, e participaram dessas discussões. Também poderia ter anunciado projetos para cortes de custos, que gerariam receita para setores muito carentes (como Educação e Saúde, para citar duas consideradas quase que unanimemente as bases de uma sociedade). Cortes, estes, que poderiam começar pela redução de “décimos” dos políticos: só o décimo quinto salário já ajudaria bastante outros setores que não o dos políticos. Ou, então, quem sabe uma bonificação menos rentável, como os auxílios terno? Não, porque convenhamos: alguém algum dia já fez entrevista para algum emprego que lhe concedesse uma bonificação a parte especificamente para você gastar com as roupas com que vai trabalhar? Que eu saiba, os gastos com isso de reles mortais como nós sai do nosso próprio salário – e para o salário de um político, aposto que isso nem faria cócegas.

É, presidente, pelo visto você terá que dar o ar de sua graça mais algumas noites para falar sobre alguns outros assuntos que ficaram pendentes. Ou será que não há necessidade?

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Clube da Leitura

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

(Inicialmente publicado em Factus Literário)

Todo apaixonado por leitura sente falta de alguém com quem compartilhar as experiências lidas. Não adianta negar: é frustrante querer contar para alguém quão legal ou chato um livro é e a pessoa devolver um olhar de desprezo pelo simples fato de você ter lido. Mas no mundo há lugar para todos, inclusive para os leitores, sejam vorazes ou nem tanto. E se você achava que discussões sobre literatura acabaram para você quando saiu do Ensino Médio (ou da faculdade, no caso de quem resolveu se aventurar em um curso de Letras, como quem vos diz), pode se animar, existe um lugar assim na Terra para nós: a Livraria Cultura.

A Livraria Cultura, em parceria com a editora Companhia das Letras, realiza mensalmente o Clube da Leitura. Nas outras Culturas o evento já ocorre há bastante tempo, mas em Campinas a coisa começou no final do ano passado e está cada vez mais animada. Funciona assim: todos os meses os participantes do evento escolhem um livro (sempre da Companhia das Letras) para ser lido até o encontro seguinte. O encontro é mediado por um funcionário da Livraria e os participantes têm a oportunidade de discutir pontos sobre o livro lido. Para dar uma ajudinha, a Livraria Cultura costuma colocar os livros escolhidos no Programa +Cultura, que o programa de fidelidade da loja, que confere um descontinho bacana ao preço do livro. 

Interessou? Então anote aí: o próximo em Campinas será no dia 6 de novembro, às 19h30, na Livraria Cultura que fica no shopping Iguatemi. O livro que será discutido é o As Brases, de Sándor Marai.

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Criança tem o direito de ser criança – e ponto

domingo, 21 de outubro de 2012


Que a mídia e a sociedade em geral exerce uma forte pressão em diversos aspectos sobre todas as pessoas, já se sabe. E isso é um fato tão corriqueiro que passa despercebido. São inúmeras as marcas que hoje produzem roupas de adultos para crianças, como roupas decotadas, saltos altíssimos e cosméticos, entre tantos outros produtos, para crianças. De certa forma, sem perceber, as crianças estão brincando de ser adultas, e esquecendo-se de aproveitar uma fase deliciosa e importantíssima da vida: a infância.

Diversos médicos já vieram à mídia alertar pais para os perigos para o desenvolvimento físico de uma criança que usa saltos. Inúmeros outros lembraram os riscos que produtos químicos (como maquiagem e tintura para cabelo) para os pequenos. Isso para não falar do absurdo de se expor uma criança ao risco de um assalto pelo celular de última geração que ela recebeu de presente no Dia das Crianças (na minha época, o mais eletrônico que a gente desejava de Natal era um Pense Bem).

Saindo do campo dos produtos, vem o das pressões psicológicas: uma criança não pode ser um pouco mais gordinha que a outra. Se não fizer cursos extracurriculares (idiomas, esportes, etc), está atrasada para o mundo capitalista. Mas se for muito estudiosa, aí é um nerd, e sofre bullying. É, está cada vez mais estressante ser criança.

Apesar de as pessoas não parecerem perceber, todas essas pressões surreais, impostas direta ou indiretamente à criança, vêm dos adultos. São os adultos que ensinam, com seus exemplos, a discriminação, a falta de caráter, o consumismo. Pensando nisso, e empenhadas a lutar em prol da liberdade da criança de ser o que ela melhor pode ser, uma criança, as irmãs britânicas Abi e Emma Moor criaram em 2008 a campanha PinkStinks. O objetivo da campanha é pressionar governantes e empresários, com apoio popular, a pensar com um pouco mais de bom senso nas crianças como foco de seus produtos e leis. A campanha surgiu inicialmente para defender as meninas, mas com o tempo os meninos também ganharam espaço. Tanto no site quanto no blog, elas mostram como a campanha vem crescendo e as mudanças que ela já conseguiu.

Infelizmente a campanha não chegou em terras tupiniquins, pelo menos por enquanto. E está fazendo falta. O problema é que brigar com empresa grande é o mesmo que pescar tubarões na unha. Mas enquanto os pais também não fizerem sua parte na proteção de seus próprios filhos contra os excessos que a mídia quer nos empurrar goela abaixo, pouco (ou nada) mudará.

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Sumário automático do Word

domingo, 14 de outubro de 2012


Eis que o temido TCC (trabalho de conclusão de curso) de uma pessoa pode ensinar mais do que seu “mero” conteúdo. A necessidade é de fato uma mãe e, graças à ela (e ao pai Google), descobri que é mais fácil do que eu imaginava a confecção automática de sumários com recursos do próprio Microsoft Word. Este post vai ser uma colher de chá em que compartilharei essa dica; aposto que tem muita gente que vai gostar.

Para esta explicação, tomarei como exemplo o Microsoft Word 2010, que é o que eu possui no meu computador, mas acredito que o processo seja parecido para outras versões.

Para cada título criado, selecione-o e escolha a opção Título 1 nos Estilos de texto.


Automaticamente, as palavras selecionadas vão mudar de tamanho e de cor. Você pode personalizar o tamanho e a cor da fonte como quiser; esse é só o padrão imposto pelo Word.

Repita o processo para todos os enunciados que serão seus títulos. Para subtítulos, escolha a opção Título 2.

Depois, na página em que você quer criar o seu sumário, clique em Referências e em Sumário. Ao clicar em Sumário, vai ser aberto um menu, para você escolher o modelinho de sumário que você quer.


Vai ficar mais ou menos assim.


Cor, tamanho de fonte e posição do texto do sumário dentro dessa caixinha também são personalizáveis. E se quiser fazer isso no começo do trabalho e ir criando os capítulos conforme sua evolução também pode. Basta criar os próximos títulos da mesma forma e, ao clicar uma vez na caixinha do sumário, clicar na opção Atualizar Sumário.

Viu? Eu disse que era fácil.

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Eleições diretas para brasileiro ver

domingo, 7 de outubro de 2012


Em 1989 o povo brasileiro conseguiu um direito extremamente democrático e invejado por muitas outras nações, especialmente pelas que ainda sofrem com a ditadura militar: o voto direto. Esse direito significa que, em uma eleição, o voto do eleitor vai direito para candidato que ele quer eleger. O problema é que esta opção de eleição não é verdadeira para todos os cargos políticos, mas apenas para presidente, governador e prefeito. Outros cargos políticos que exigem votação em eleições, como deputados e vereadores, não são eleitos por meio de voto direto e, sim indireto.

Para deputados e vereadores, cada candidato tem que receber um número X de votos para ser eleito. Se o número de votos que ele receber ultrapassar esse número necessário, os votos restantes são distribuídos entre os candidatos com menos votos de seu partido, de acordo com um cálculo maluco. Ou seja: aqueles candidatos que ninguém queria que assumisse o poder e, portanto, para os quais ninguém votou, muitas vezes consegue ser eleito justamente por esse “troco” de votos que sobra dos mais votados. Em outras palavras, a tão invejada democracia do povo brasileiro vai por água abaixo, porque os menos votados também sobem ao poder.

Esse cálculo foi explicado e exemplificado pelo jornal Correio Popular, de Campinas. Graças a essa complicação, partidos políticos se aglomeram em coligações e pagam para que candidatos ou personalidades famosos se candidatem, os chamados puxadores de votos, para atraírem o maior número de votos possível para as legendas. Depois, através dessa fórmula maluca, eles conseguem colocar na Câmara os candidatos indesejados ou desconhecidos. O exemplo mais famoso é o das últimas eleições para deputados, que contou, entre outros candidatos muito conhecidos, com a participação do palhaço Tiririca (e seu partido caçoando do povo brasileiro sem nenhum sinal de escrúpulo) e do ex-jogador Romário.

No campo da política muitos avanços têm sido feitos no sentido de melhorar a vida do eleitor e exigir mais respeito para ele da parte dos políticos. O processo é lento, mas aos poucos temos visto alguns políticos serem condenados pela sua desonestidade. Depois da Lei da Ficha Limpa, que foi indubitavelmente o maior avanço do cidadão nos últimos anos, a exigência da eleição verdadeiramente direta será o próximo passo para uma faxina mais que necessária no cenário político brasileiro. Um país do nosso porte é carente disso há muito tempo, e já está na hora de as coisas começarem a mudar de fato.

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Seus lindos lábios

terça-feira, 7 de agosto de 2012



Publicado originalmente em FactusLiterario.blogspot.com.br

Não é à toa que “Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios”, de autor Maçal Aquino, chegou às telonas do cinema brasileiro. O romance reúne muito daquilo que o público gosta de ver: romance conturbado, polêmicas, misérias humanas e um final feliz.

O livro é narrado por um fotógrafo de meia idade, Cauby, que, a trabalho, foi obrigado a viver por um tempo no interior do Pará, em uma cidade pequena que vive basicamente da mineração do ouro. Graças a esse trabalho, o fotógrafo acaba forçosamente conhecendo e se envolvendo pouco a pouco com as mais diversas personagens daquele lugar.

A ação começa quando ele conhece Lavínia, uma moça misteriosa com quem esbarra sem querer em uma loja de variedades, coincidentemente graças a uma paixão em comum: a fotografia. Mas a moça é misteriosa e tem mais segredos do que se possa imaginar.

Cauby e Lavínia acabam se envolvendo emocionalmente, e o romance se desenrola em volta deste relacionamento complicado e mal visto pelo povo de uma cidade pequena.

Romance de leitura fácil e fluida, apresenta um defeito, em minha opinião: a história começa a ser narrada em primeira pessoa; portanto, o narrador só conhece aquilo que viveu. Porém, o autor usa o tempo presente também para descrever cenas no passado, como se o personagem principal estivesse narrando o que vê num filme diante de seus olhos. Posteriormente a narração muda sem aviso para terceira pessoa, pela voz de um narrador. Para quem lê pela primeira vez, a impressão é de que o fotógrafo é quem continua narrando, e isso gera a dúvida: “como é que ele sabe?”. Num terceiro momento, a narração volta para a primeira pessoa, mas no passado, com quem de fato conta uma história.

Desconheço o filme, mas li e vi muito sobre a opinião alheia e parece que teve êxito. Ignoro aqui os comentários daqueles que falam mal de filme brasileiro só porque é filme brasileiro. Da minha parte, só posso recomendar a leitura.

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A Vida

terça-feira, 31 de julho de 2012

O que eu quero da vida?
O que ela quer de mim?
Não sei dizer se é amiga,
não sei se ela goza de mim.

A amiga apresenta boas pessoas
por vezes impossíveis de esquecer,
boas oportunidades,
escolhas difíceis de fazer.

Quando goza
é bom se cuidar:
às vezes nos prega peças
difíceis de escapar.

Fácil ou difícil
Monótona ou não
O que é impossível
É viver em vão.


Mariana Baroni

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A que faltava

segunda-feira, 16 de julho de 2012

(Este post foi publicado primeiramente no blog Flactus Literário)


Walt Disney criou as princesas da Disney pensando na identificação que as meninas poderiam encontrar nelas. Para isso, criou uma de cada etnia, para que nenhuma se sentisse sozinha. Mas ainda faltava uma: a princesa negra. Anos após sua morte, em 2009, os Estúdios Walt Disney aproveitaram o conto de fadas A Princesa e o Sapo para introduzir finalmente a princesa que faltava: Tiana, a princesa negra de Nova Orleans, a terra do jazz.

Ambientado num mundo bem próximo ao contemporâneo, A Princesa e o Sapo aproveita a base da cultura africana que fincou raízes na colonização passada dos Estados Unidos. Tiana é uma garota encantadora e generosa que herdou do pai o talento gastronômico e o sonho de abrir seu próprio restaurante. Seu pai não viveu o suficiente para realizar este sonho, mas Tiana o assumiu para si como uma missão e luta obstinadamente para realiza-lo. O desejo por essa realização é tão grande que nada mais importa para ela: a garota trabalha dia e noite por cada centavo que arrecada, até se afasta da convivência com os amigos em nome do trabalho.

Esta é a grade diferença de Tiana em relação às outras princesas: ela não é uma dama indefesa precisando de um príncipe para salvá-la; ao contrário, ela é independente, batalhadora e trabalha por seu próprio sustento.

Outro ponto a se destacar é que o príncipe não é um mero coadjuvante relegado a aparecer apenas no final para salvar o dia. Naveen, príncipe do país fictício Maldonia, aparece logo no começo da trama e coexiste com a personagem principal em todos os momentos. Além disso, ele também não é um príncipe perfeito e idealizado, de posses e bravo guerreiro, como os outros: apenas a beleza e o título o tornam parte da realeza. O príncipe desta história é, na verdade, um folgado, preguiçoso, que passa o dia todo tocando sua viola e paquerando moças bonitas que se derretem por ele.

Cansados da vida boa que o filho levava, os reis da Maldonia resolveram cortar a mesada do príncipe mimado. Naveen, então, resolve passar umas férias em Nova Orleans, onde acredita que poderia passar a vida toda tocando jazz.

A melhor amiga de Tiana é Charlotte, uma garota rica e extremamente mimada, que entra em desespero quando não vê o que deseja bem à sua frente imediatamente. Mas ela não é má. Ambas cresceram juntas, pois a mãe de Tiana é estilista e costurava os vestidos de Charlotte. E enquanto trabalhava, ela lia conto de fadas para as meninas, que, como toda menina, sonhavam com elas.

Com o passar do tempo, Tiana amadureceu e os sonhos com contos de fadas foram postos de lado em detrimento do sonho gastronômico. Por outro lado, Charlotte continuou alimentando o sonho de criança, e desejava de todas as formas casar-se com um príncipe. Por isso, quando os jornais anunciaram a chegada de Naveen, a garota pede mais esse favor ao pai que, incapaz de negar qualquer coisa à filha mimada, convida o príncipe a ficar em sua casa.

O arqui-inimigo da história é alguém que lembra muito o Jafar, de Aladdin: o Senhor das Sombras é um feiticeiro especialista em vodu, que tem negócios com seus “amigos do outro lado”, como ele diz. Sua intenção é se apoderar das riquezas da família de Charlotte para dominar a cidade e entregar a esses amigos as almas desesperadas do lugar. Para isso, ele escalará o mordomo de Naveen, Lawrence, personagem altamente influenciável e com uma vida de servidão que o tornam alvo fácil do bruxo.

Este é mais um musical da Disney, e para não perder o clima do ambiente em que se passa a história, todas as músicas são jazz. Além disso, outros personagens aparecem, a maioria deles animais, característica dos contos de fadas, que adoram esse tipo de contato entre os personagens.

Neste filme os papeis de poder quase se equiparam, não existe um melhor que o outro no casal, e ambos têm de aprender a viver juntos para poderem resolver os desafios que aparecem durante a trama. Mais que uma questão de um salvar o outro, é uma lição de aprendizado sobre convivência que se passa nessa obra, uma mensagem muito coerente e precisa e com a realidade atual de seus espectadores.

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A verdade sobre os sonhos

sexta-feira, 29 de junho de 2012


Sonhos são feitos de vivencias e são realizados com força de vontade. Invariavelmente eles instigam o sonhador, lhe dão uma verdadeira razão para a vida e lhe fazem feliz. E felicidade é algo legal de se compartilhar, principalmente com aqueles que estão mais próximos. Porém, opiniões diferem demais de uma pessoa para outra, e o que seria uma experiência construtiva de sociabilidade se torna uma grande auto sabotagem.

Sonhos são únicos. E são sonhados sozinhos. Por mais que outras pessoas digam compartilhar do mesmo sonho, a verdade é que eles são no máximo parecidos, mas nunca o mesmo.

Compartilhar sonhos com outras pessoas não é muito agradável se não se for surdo. Às vezes parece que contar um sonho a alguém, na esperança de demonstra a felicidade que ele causaria, poderia ajudar a angariar apoio daqueles mais próximos.  Como na fábula do sapo que escala uma montanha, ouvir a opinião dos outros pode atrasá-lo, torná-lo mais difícil do que realmente é ou até impedir sua realização.

Poucos são aqueles dotados de capacidade (ainda que mínima) de empatia, isto é, ouvir o sonho do outro, entender que aquilo tem um peso enorme para ele e compreender que sua concretização será algo extremamente significativo na vida da outra pessoa. Só isto bastaria para quem está empolgado para compartilhar sua alegria. Vibrar junto, se deixar contagiar ou até mesmo torcer pelo sucesso do outro já é um esforço homérico demais, quase impossível. Mas o mínimo esforço poderia acontecer, nem que fosse por mera política de boa vizinhança, certo?


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A Viagem

quinta-feira, 21 de junho de 2012



No final do século XX, uma família está de mudança para uma nova cidade no Japão. O pai está animado com a mudança, a mão, indiferente, mas a pequena Chihiro está aborrecida, sem saber como serão as coisas na nova cidade. Na metade do percurso, ligeiramente perdido, o pai de Chihiro resolve tomar um atalho, que os leva a um lugar sem saída, aparentemente uma antiga estação de trem desativada. Animados com a perspectiva de aventura de repente no meio do que seria uma simples mudança, o casal resolve explorar o lugar. Chihiro, contrariada, os acompanha, por medo de ficar sozinha no carro esperando por eles.

A estação os leva a um parque de diversões fantasma. Curiosos, os pais de Chihiro resolvem explorar o local e chegam a uma barraca de comida que, apesar do abandono do restante do parque, parece estar ativa, com comidas frescas e ainda quentes, prontas para serem servidas. O cheiro e a aparência das refeições instigam o casal, que começam a comer cada vez mais furiosamente tudo o que veem pela frente. Chihiro, percebendo que algo estranho se passa por ali, insiste em deixarem o parque e voltarem para seu caminho, mas é tarde demais: seus pais são transformados em dois grandes porcos.

Assustada e com medo, a garota corre, tentando encontrar a saída, quando recebe a ajuda de um misterioso garoto chamado Racco. Com ele, ela vai descobrir o que realmente acontece com aquele lugar e como sair dali sã e salva na companhia dos pais. Para isso, terá que aprender a enfrentar seus medos.

Filme de 2001, coleciona premiações: Urso de Ouro (melhor longa-metragem de animação), Oscar (melhor animação), indicação para BAFTA e César (melhor filme estrangeiro). E não é para menos. Com maestria, Hayao Miyazaki dirige uma emocionante estória extremamente típica da cultura japonesa, misturando realidade a folclore, sem perder, dessa forma, a coerência e mantendo o espectador preso à linha de pensamento do enredo, sem causar nenhum estranhamento.

Do começo ao, o enredo prende o espectador, deixando-o tenso e angustiado para saber as soluções encontradas pela heroína para as mais inusitadas situações. Cada personagem é cativante à sua maneira e é impossível não se envolver com a história. Tudo isso sem que seja possível prever o final do filme, pois os acontecimentos se constroem e se completam à medida que se avança sem, entretanto, deixar suspeitas sobre o desfecho.


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Sobre Pensamentos Avulsos...

Pensamentos Avulsos são divagações e outras bobagens que saem da cabeça insana dessa que vos escreve. Espaço livre para meu bel prazer de escrever e expor de alguma forma minhas idéias. Como blogueira, eu gosto de comentários; como escritora, eu preciso de críticas. Ambos me servem como uma espécie de termômetro de qualidade para a minha produção. Portanto, por gentileza, colabore. :-)

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